“O CANTO DAS SEREIAS”


Depois que o Senhor repreendeu os discípulos pela busca ao pão material, recriminando-os de um coração interesseiro, muitos acharam duras as suas palavras, e voltaram atrás. Ele então lhes disse: “É o Espírito quem dá vida; a carne em nada se aproveita; as palavras que Eu vos tenho dito são Espírito e são vida”. (Jo 6.63)

Tenho visto nas pessoas uma forte tendência em seguir os que dizem coisas bonitas. Os escritores, poetas, mestres e até mesmo grades pregadores, são campeões de seguidores. Mais todos caracterizados por discursos emotivos e agradáveis aos ouvidos. No entanto vazias e sem vida.

Os verdadeiros discípulos de Jesus devem saber discernir os cantos das sereias, que servem para iludir e seduzir, e as palavras de vida do Senhor. Muitos livros são escritos nos dias de hoje por homens espiritualistas, que dizem muitas coisas inteligentes, usam analogias e metáforas envolventes, muitas vezes parecidíssimas com as palavras de vida do Senhor. São como melodia aos ouvidos dos imprudentes.

Qual é sua fonte? Por trás dessas palavras há alguém que conhece a cruz de cristo? Existe um coração temente ao Senhor com zelo pela palavra que Ele tem dito, ou se trata de um filósofo da alma, um novelista? Lixo é usado hoje para alimentar a igreja do Senhor, contorcendo totalmente às suas palavras que sacia e nutre.

Quando Jesus diz aos doze: “Vós também desejas ir embora?”, Pedro lhe responde: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. Sendo assim nós temos crido e reconhecido que Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo.” (Jo 6.68-69) Esta é a resposta de um verdadeiro discípulo, por mais que sejam duras as suas palavras, elas são confiáveis e suficientes pra mim.

“Para quem iremos?” diz Pedro. Na verdade mais que uma pergunta, essa declaração é uma reposta tremenda. Deixa claro o interesse de um verdadeiro discípulo, e de sua busca á alguém e não a lugares, conforto e prosperidade, ao único que tem palavras de vida eterna. Jesus Cristo nosso Senhor!

O cristão raquítico é facilmente influenciado pelo mundo e vencido, mas um cristão zeloso e nutrido pelas palavras de Cristo estará sempre fortalecido para confrontar e enfrentar as circunstâncias. Diga não ao pão material e ao canto das sereias adornado pela sabedoria humana, mas a Cristo, suficiente pra mim.

nEle,

Vindita!

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“Uma troca lucrativa”



“…quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna” (João 12.25).

Jesus nessa passagem de João 12, está nos ensinando que era necessário que ele fosse morto para que pudéssemos ser feitos filhos de Deus: “E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado. Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto”.

Se Ele não morresse, continuaria somente o Filho unigênito, como sempre foi desde a eternidade; mas se ele morresse, levaria muitos filhos à glória (Heb. 2.9-10). Ele consumou a obra que o Pai lhe deu para fazer nesse mundo (João 17.4), agora Ele é quem nos diz: “Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna”.

Há muitas razões para o homem odiar a sua vida. Uma delas é que o homem nunca se satisfaz com ela: “Como o inferno e a perdição nunca se fartam, assim os olhos do homem nunca se satisfazem” (Prov. 27.20). A outra é que ela é pecadora, e o homem não foi feito para pecar, mas para viver para Deus e adora-lo: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?” (Sal. 42.1-3).

Devemos odiar a nossa vida, principalmente porque ela não nos dá segurança: “Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte. Quanto ao ímpio, as suas iniqüidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido” (Prov. 16.25 e 5.22). Também porque a sua glória é como a de uma flor que logo murcha, como a sombra que também se vai quando não há mais luz: “O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação. Sai como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece” (Jó 14.1-2). É como um vapor que logo se desvanece: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece” (Tiago 4.14).

A lei no Reino de Deus é ao contrário da humana. Quem perde ganha, e quem tenta ganhar, perde. Quem amar essa vida pecadora perde-la-á, mas quem neste mundo a odeia e perde-á por amor dEle, guardá-la-á para a vida eterna. Não precisamos ser um economista para notarmos que esta é uma troca muito lucrativa. Cristo, e só Ele é uma vida abundante e eterna.

Fonte: Águas Vivas

“Paciência, consolação, esperança e paz”


É interessante que o capítulo 15 de Romanos apresenta a Deus como “o Deus da paciência e de consolação” (v. 5), “o Deus de esperança” (v. 13), e “o Deus de paz” (v. 33). São quatro atributos muito valiosos do nosso Deus, que valorizamos muito, mas que esquecemos logo que vivemos certas experiências difíceis.

Romanos nos mostra um resumo de toda a carreira cristã. E no capítulo 15, quando vai concluindo a sua exposição, Paulo, pelo Espírito, nos faz esta quádrupla apresentação preciosa de Deus, que Deus dá a provisão –quer dizer, o próprio Deus– para toda situação presente.

Na carreira cristã há tantas situações difíceis, que sem dúvida, precisamos mais de uma vez conhecer a paciência do “Deus da paciência”. Quando os problemas acontecem um após o outro, e parece não terminar mais, quando somos hostilizados, perseguidos e incompreendidos. Que importante é a paciência!

Mas ele não é somente o Deus da paciência: é também “o Deus da consolação”. As lágrimas e as dores necessitam de consolo. O coração ferido precisa de uma gota de bálsamo, um lencinho que enxugue as lágrimas, e um ombro no qual podemos recostar. Tudo isto Deus provê para os seus filhos, porque ele é o Deus da consolação.

Também é “o Deus da esperança”. Quando a noite é escura, e fria; quando olhamos ao longe e não vemos a luz no final do túnel, então Deus se revela como o Deus de esperança. O que os nossos olhos não vêem, o vemos pela fé, porque conhecemos as misericórdias e a fidelidade de Deus. Deus não muda, ele é fiel, e não pode negar-se a si mesmo.

Davi sabia disso muito bem: “Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sal. 30:5). Não terá Deus misericórdia dos seus pequeninos, que esperam nele, que sofrem diante dele? Ele é o Deus da esperança!

Por último, ele é “o Deus de paz”. Chegará um momento em que a paciência cumprirá a sua tarefa, e então estaremos perfeitamente consolados. A esperança haverá alcançado a sua realização. Então virá a paz, esse sentimento profundo de quietude mesmo no meio da tormenta. A paz de Deus, que não depende se as circunstancias são favoráveis ou não.

A paz de Deus está muito bem exemplificada na cena do Senhor Jesus dormindo sobre o cabeçal no meio da tempestade. Enquanto os discípulos desesperavam, o Senhor dormia tranquilamente. Por isso ele disse: “A minha paz vos dou, não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27). Por isso o apóstolo disse: “E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus” (Flp. 4:7).

Fonte: Águas Vivas

“Inimigos da cruz”


“Porque muitos há, dos quais vos disse muitas vezes, e até agora o digo chorando, que são inimigos da cruz de Cristo; o fim dos quais será a perdição, cujo deus é o ventre, e cuja glória é a sua vergonha; que só pensam nas coisas terrenas” (Flp. 2:18-19).

Poucas vezes Paulo fala com o dramatismo com que diz estas palavras de Filipenses. A razão da sua dor é muito precisa: são os inimigos da cruz de Cristo. O que sabemos deles?

Duas coisas se podem ver nestes versículos como características desta classe de cristãos: a sua sensualidade e o seu amor para com o mundo. “…cujo deus é o ventre”, diz Paulo. Isto nos fala de pessoas que vivem em deleites, em prazeres: a boa comida e a bebida abundante. Mas evidentemente isto tem a ver também com o bom viver, com o apego ao conforto e às riquezas.

Paulo em outro lugar identifica esta classe de cristãos como os “amantes dos deleites mais do que de Deus” (2ª Tim. 3:4). Pedro os assinala como “os que têm por prazer o gozar dos deleites a cada dia” (2ª Pedro 2:13). Judas os descreve como os “escarnecedores que andarão segundo os seus maus desejos… os sensuais, que não têm o Espírito” (18-19). Se nos dias em que Paulo escreveu Filipenses já existiam, nos tempos posteriores (os das epístolas de Pedro e Judas) abundavam. Nos últimos dias (os nossos) são uma verdadeira praga.

Em alguns círculos cristãos a prosperidade chegou a ser uma bandeira de luta e um ‘slogan’ da moda. Os que a promovem afirmam que os cristãos não só podem gozar dos bens materiais, mas também são chamados para serem ricos, e que a riqueza material é sinal inequívoco de prosperidade espiritual. Conseqüentemente, a pobreza é sinal de fracasso espiritual e falta de fé.

Esta tendência foi denominada por alguns como uma “nova cruz”, fácil, prazerosa, acomodada ao mundo, encaminhada a satisfazer os desejos carnais e obter para seus impulsores abundantes lucros. É obvio, esta cruz não tem nada a ver com a cruz de Cristo. Esta é uma anti-cruz, e seus seguidores são os mesmos “inimigos da cruz de Cristo” dos que falou Paulo com tanta dor.

Os inimigos da cruz de Cristo não querem perder a sua vida neste mundo; eles querem viver em deleites, desfrutar do dia, esquecer-se das dores e sofrimentos por causa de Cristo. Eles procuram afanosamente a sua felicidade além de Cristo, não importando quantos danos vão ficando em seu passado. Eles estão muito bem desfrutando do mundo, e no seu parecer, o Senhor demora muito em voltar.

O ventre é hoje o deus de muitos –como foi nos dias do apóstolo Paulo– e até o baixo ventre parece ser o deus de muitos outros que esqueceram as santas advertências das Escrituras, e submergiram na concupiscência. Que Deus livre os seus amados da profana corrente que envolve o mundo!

Fonte: Águas Vivas