Valores do Mundo ou do Reino?


Valores do Mundo ou do Reino?

A adolescência, tal qual a conhecemos hoje, não é criação de Deus; seus traços característicos denunciam claramente uma origem e influência que provêm do mundo. Quando se trata de famílias sem conversão ou chamado de Deus, nada seria mais natural – não se esperaria outra coisa. Para lares cristãos, entretanto, precisamos encarar tais características como totalmente contrárias à vontade do Senhor. O fato de a própria igreja aceitar frieza espiritual, independência, sensualidade, materialismo e conformidade com valores e estilos de vida antagônicos aos do Reino de Deus como aspectos intrínsecos a essa fase da vida mostra o grau de influência que o mundo exerce sobre o cristianismo hoje. A Palavra trata o mundo como inimigo a ser vencido (Jo 5.4), não como um amigo a ser copiado. O mundo precisa ser mudado pela vida e a prática dos discípulos de Jesus e não o contrário (At 17.6). Para entender a essência da influência do mundo sobre a geração jovem, queremos examinar três aspectos fundamentais: beleza, riqueza e fama.

ATRAÍDOS PELA APARÊNCIA

A beleza chama a atenção pela aparência. No mundo, as pessoas não se movem pelo que as coisas significam, mas pelo que parecem significar. Assim, um produto qualquer, por exemplo, é mais ou menos valioso a depender da aparência de sua embalagem. Uma pessoa, por mais especial que seja, é avaliada por sua maneira de se apresentar esteticamente. É nesse contexto que a adolescência encontra seu significado mais avassalador. Justamente quando os jovens estão passando por mudanças físicas e hormonais, atribui-se ao físico esse grande significado social. Moças e rapazes passam a ter intensa preocupação com o corpo porque é assim que a sociedade diz que tem de ser. A mídia está em todo o tempo apresentando um padrão estereotipado de beleza, forçando os jovens a compreender-se apenas como um corpo físico sob julgamento. Doenças como anorexia e bulimia, tão recorrentes hoje, confirmam até onde esse ressignificado da aparência física pode levar nossos jovens. Em contrapartida, não sobra esforço para se dedicarem ao desenvolvimento intelectual e, muito menos, ao crescimento espiritual.

 

ATRAÍDOS PELA VERDADE

O Reino de Deus é sobremodo atraente, mas não se vale da aparência. Tudo o que se vê é passível de mudança e desgaste. Tudo o que se vê é temporal, mas o que não se vê é eterno (2 Co 4.18). O Reino é o lugar da fonte inesgotável de vida eterna. Para beber da eternidade, é preciso beber da vida de Jesus. Ele disse que, quando fosse levantado da terra, atrairia as pessoas para si mesmo (Jo 12.32). Essa capacidade espiritual de ser atraído por Jesus crucificado não está sendo experimentada pelos jovens. Não cabe, hoje em dia, chamar de atraente alguém que não tenha beleza nem formosura. Quando olhavam para ele, não achavam beleza alguma que agradasse aos sentidos naturais. Contudo, há poder em Jesus crucificado (Is 53.2). Por que esse poder não está sendo experimentado? Porque a igreja não tem apresentado Jesus crucificado aos jovens. Porque a igreja insiste em buscar alternativas atraentes, copiando estratégias do mundo. Será que o ambiente de nossos cultos, por exemplo, precisaria de tanto aparato tecnológico se houvesse mais verdade e poder em nossos ajuntamentos? Temos de livrar nossos jovens dessa estratégia maligna de afastá-los de Cristo atribuindo valor eterno ao que é aparente. Precisamos crer no poder que Jesus tem de atrair e transformar.

RICOS AQUI

A riqueza é o grande desejo de quem vive nesse mundo. As pessoas vivem sonhando em ter. Desejam muito mais do que necessitam. Para isso, foi criado o marketing. Poderíamos ser muito felizes tendo alimento e vestuário. Depois da modernidade, entretanto, vive-se aspirando ter sempre além do que é necessário. Esta é mais uma das características do adolescente. As empresas passaram a investir massivamente no promissor mercado dos consumidores de 12 a 18 anos. Começaram apresentando produtos com adaptações específicas para despertar o desejo da jovem população. As empresas de celulares, por exemplo, lançaram produtos com diversas cores e funções que agregam atividades já muito realizadas pelos jovens na Internet. A indústria da moda também descobriu a linguagem adolescente e criou produtos adequados às aspirações de beleza. As grifes se encarregaram de colocar preços elevados para que as roupas também passassem a demonstrar a diferença entre pobres e ricos. O resultado é uma população de jovens que vive em busca de coisas. São felizes quando têm, e infelizes e ansiosos quando não conseguem ter.

RICOS NA ETERNIDADE

O Reino de Deus também apresenta a necessidade de ter riqueza. Trata-se de um tesouro que deve ser acumulado nos céus. São investimentos que fazemos nesta Terra para ajuntar valores na eternidade. Para isso, é preciso mudar o que se busca (Mt 6.19-21). Ninguém que vive dedicando-se a coisas terrenas consegue acumular bens eternos. Jesus disse que deveríamos olhar os lírios dos campos e as aves dos céus. Ele não estava sendo irônico ou incoerente (Lc 12.22-31); pelo contrário, queria ensinar que não precisamos gastar nossa curta vida à procura de coisas que ele está pronto a nos dar porque sabe do que precisamos. A questão não é o que os lírios e pássaros têm, mas quem os supre. Jesus quer suprir cada pessoa pessoalmente, e isso é maravilhoso. Por que não ensinamos os nossos jovens a investir na eternidade antes de investirem na bolsa? Precisamos ensinar às nossas crianças o que realmente é valioso. Valioso é dedicar tempo para conhecer o Senhor e prosseguir em conhecê-lo. Valioso é investir em pessoas e não em coisas. Cada aspecto do caráter de Cristo que passamos a experimentar por revelação cumpre uma parte do propósito eterno de Deus na vida de nossos filhos. Até que ponto os ensinamos a gastarem tempo na presença do Senhor a fim de conhecê-lo? Cada vez que eles preferirem contribuir com a necessidade de alguém ou da obra missionária, por exemplo, estarão investindo numa recompensa eterna. Nossas casas e congregações valorizam mais as coisas ou as pessoas? Essa é uma importantíssima diferença entre o Reino e o mundo. A igreja não foi chamada para o capitalismo, mas para o sacrifício. Quantos de nossos jovens são capazes de preferir o sacrifício ou a doação em detrimento de ganhar um presente ou aumentar a poupança?

CONHECIDOS POR MUITOS

A fama é o sonho de muitas crianças. A mídia torna algumas crianças muito conhecidas e enche a vida delas de glamour. Quantos meninos sonham em ser famosos jogadores de futebol? Quantas meninas sonham em ser modelos internacionalmente conhecidas? O mundo estimula a busca da fama. Ser conhecido é sinônimo de ser melhor, mais importante. Quem não consegue se tornar conhecido, ao menos escolhe um famoso para ter como modelo. Isso tem produzido dois resultados. O primeiro é uma quantidade enorme de jovens ensimesmados, apegados a si próprios e buscando apenas a autopromoção. O outro é uma grande quantidade de jovens idólatras, apegados a alguém que conseguiu chegar ao topo de Babel. A raiz é a mesma: homens desejando fazer célebre o próprio nome. O resultado, como em Babel, é distância de Deus e uns dos outros. Quando não estão juntos por causa de ídolos em comum, estão sozinhos em seus mundos lamentando ser apenas desconhecidos e anônimos. Recentemente, um periódico nacional discutia o perigo de morte por causa de pipas impregnadas de vidro. Quando perguntaram a um adolescente por que fazia isso, ele respondeu: “Porque quem consegue derrubar muitas outras pipas fica famoso”. O repórter insistiu que aquela prática poderia matar pessoas. Com desdém, ele respondeu: “Fazer o quê?” Quantas pessoas produzem destruição por causa da fama? Quantos famosos têm influenciado a atual geração, matando-a moral e espiritualmente?

FAZENDO JESUS CONHECIDO POR MUITOS

De alguma forma, os jovens que lotam os shows estão querendo satisfazer uma necessidade espiritual. O homem foi criado para glorificar (Ef 1.6). Quem é famoso tende a ser depressivo. Em algum momento, ser conhecido não preenche mais o interior. Quem procura aclamar alguém, também luta contra uma questão em sua alma. O Reino de Deus tem alguém cujo nome está acima de todo nome. Fomos criados para fazer célebre o seu nome e exaltá-lo. Isso deveria ser a prática de cada ser humano e, portanto, o ensino dado a cada criança. Nossos jovens deveriam ser apresentados ao Rei dos reis e Senhor dos senhores. Deveriam ser corrigidos em toda tentativa de autopromoção e estimulados em toda iniciativa de adoração. Ao invés disso, criamos nossos famosos, produzimos nossos shows e exaltamos homens e mulheres que deveriam ser apenas servos do glorioso Deus. Talvez, você me considere radical, mas vou afirmar algo. A igreja que não honrar seu dono, não subsistirá. Os jovens que não dedicarem sua força e criatividade à adoração perderão sua fé. Desde pequenos, nossos filhos são estimulados em sua soberba adâmica pelos nossos elogios. Não os ensinamos a honrar a Deus com a mesma intensidade que usamos para ensiná-los a gostar de receber honra. A fase da adolescência, portanto, está saturadamente exposta ao que a Bíblia chama de mundo: concupiscência (desejo) dos olhos, concupiscência da carne e soberba da vida (1 Jo 2.16). Temos aceitado isso e gerado filhos apegados ao que veem, que desejam e que podem comprar. É hora de nos arrependermos. Há uma força de atração capaz de reter nossos jovens na eternidade. Há uma riqueza capaz de levá-los aonde a traça e a ferrugem nada podem consumir. Há uma glória capaz de realizá-los profundamente. A atração é Jesus crucificado, a riqueza é o tesouro que está escondido no campo da espiritualidade, e a glória é aquela do Filho de Deus, que recebeu um nome acima de todo nome. Eu creio que uma mudança de valores na educação de nossos filhos e no ensino de nossas congregações pode começar a acabar com esse tipo de adolescência. Deus nos deu filhos para serem ensinados a amá-lo sobre todas as coisas e não para amarem as coisas que estão abaixo dele. Temos de preparar os jovens para vencerem o mundo e não para vencerem no mundo. Vamos ensiná-los a reagir como Jesus. O diabo o transportou a um lugar alto e lhe mostrou os reinos do mundo e a glória deles (Mt 4.8). Jesus disse que não se prostraria porque só adorava ao Senhor seu Deus. Vamos ensinar aos nossos jovens o antídoto contra os reinos do mundo e a glória deles: render-se, entregar-se, adorar ao Senhor nosso Deus. A estratégia maligna para nos afastarmos do eterno é aproximar-nos do que é terreno. A estratégia de Deus é revelar o que é eterno para saber que não precisamos do que é terreno. Temos Jesus, somos de Jesus, mostremos Jesus!

por Tony Felicio

Revista Impácto

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“Benefícios do Chá verde”


Benefícios Fisiológicos e Terapêuticos do Chá Verde 

*Segundo pesquisas científicas desenvolvidas na Ásia, Europa eAmérica

•combate o envelhecimento precoce das células;

•auxilia na regeneração da pele;

•promove a longevidade saudável;

•reduz o colesterol total e níveis de LDL (mau colesterol);

•aumenta os níveis do HDL (bom colesterol);

•reduz a pressão arterial;

•atua como anticoagulante intravascular;

•reduz o risco de infarto do miocárdio;

•reduz os riscos de AVC (derrame cerebral);

•reforça os vasos sanguíneos;

•reduz os riscos de vários tipos de câncer;

•fortalece o sistema imunológico;

•atua como antiinflamatório e antigripal;

•ajuda a dilatar os brônquios, facilitando a respiração dos asmáticos;

•auxilia nos tratamentos de gripe, bronquite e pneumonia;

•protege o sistema gastrintestinal de bactérias nocivas;

•auxilia nos processos digestivos;

•previne a formação de pedras na vesícula e nos rins;

•ajuda a normalizar a função da tireóide;

•previne cáries dentárias e gengivite.

Depois de saber de tudo isso não saia correndo a torto e direito bebendo chá verde, o consumo em excesso e o chá muito concentrado pode levar a gastrite, devido à cafeína. O ideal é consumir a bebida em pequenas doses de 50 ml (copinho de café) ao longo do dia.

http://www.mundodastribos.com/beneficios-do-cha-verde.html

“Reconstruindo os Elos”


“Reconstruindo os Elos”


Não é novidade alguma afirmar que o período de transição, a fase chamada de adolescência, tornou-se fundamental na vida de uma pessoa. É nele que se determinam rumos que geralmente serão mantidos durante o resto da vida. São anos de formação, decisão, definição.

É muito importante que as implicações dessa fase sejam levadas a sério pelas famílias e pela igreja. Enquanto ignoramos a verdade sobre a adolescência, nossos jovens estão sendo conduzidos a uma realidade de completa vulnerabilidade ao que o mundo lhes oferece. Justamente quando os hormônios estão produzindo tantas mudanças, o mundo lhes apresenta um constante e intenso apelo à sexualidade. Exatamente quando surgem as dúvidas existenciais, não há quem os ouça com atenção e tenha disposição de guiá-los até as respostas de que precisam. No momento em que eles se veem diante de grandes decisões, também percebem que não têm instrumentos para decidir corretamente porque ninguém os levou a sério.

Os dois principais ambientes que podem ajudar a suprir as necessidades dos adolescentes são a família e a igreja.

Pais espirituais

Não há tarefa mais especial do que ser pai e mãe. Já que vamos a Deus por causa de tantas outras coisas, por que não o buscamos também – como Pai – para saber como agir com nossos filhos?

Pais espirituais oram todos os dias pelos filhos; procuram saber qual é o projeto de Deus para eles e não abrem mão de ajudá-los a cumpri-lo. Pais es

pirituais participam das decisões dos filhos com exortação, conselho e amor. Pais carnais dizem que filhos crescidos devem se virar sozinhos. No Reino, nunca devemos agir sozinhos; não importa a idade ou a maturidade, sempre precisamos uns dos outros. Nossos filhos precisam de nós.

Um alerta: ser espiritual é muito diferente de ser religioso. Pais religiosos parecem santos; os espirituais buscam realmente ser como Jesus. Pais religiosos espantam os filhos; os espirituais os atraem. Precisamos ter uma vida cristã cheia da paz, da justiça e do gozo que caracterizam o Reino. Isso atrairá nossos filhos e os manterá seguros no ambiente agradável de casa proporcionado pela presença do Espírito.

Com a consciência de que criar filhos é uma tarefa que requer espiritualidade, trate de maneira espiritual as mudanças naturais que seus filhos vivem. Não se deve ver pecado em tudo como faz o típico religioso; procure ver Deus e o seu propósito em tudo, e guie os filhos nessa direção. A puberdade, os hormônios, as mudanças no corpo, o interesse sexual – Deus tem um propósito para essas coisas. Conheça-o e ajude seu filho a se guardar para ele.

Acima de tudo, creia. É verdade que devemos fazer tudo o que o Pai nos manda, mas precisamos pôr nossa fé nele e não em nossa obediência. Nossa fé precisa estar no Filho de Deus que nos amou e a si mesmo se entregou por nós (Gl 2.20). Essa atitude nos ajudará a permanecermos fiéis quando surgirem as crises. Ainda que os filhos enfrentem problemas, nossa fé no Filho, em seu amor e na sua cruz nos ajudará a perseverar e receber o cumprimento das promessas do Senhor.

 

Pais que ajudam a descobrir a missão dos filhos

Há três decisões importantes na vida de um jovem: missão, profissão e casamento. Essas decisões são espirituais, têm implicações eternas e devem ser consideradas nessa ordem. Pais espirituais fazem a pergunta dos pais de Sansão:

 

 

Então disse Manoá: Quando se cumprirem as tuas palavras, qual será o modo de viver do menino, e o seu serviço?

(Jz 13.12).

Essa é uma pergunta sobre missão. Manoá e sua esposa queriam ser guiados por Deus na educação de um filho que tinha um chamado especial. Seus filhos também foram chamados! Você sabe para quê? A resposta a essa pergunta lhe dirá como deve criá-los, como devem viver.

A maioria dos pais pensa primeiro na profissão e trabalha duro para que os filhos vençam no mundo. Como afirma o querido irmão Jamê Nobre: “Deus quer que eles vençam o mundo e não no mundo”. Quer que sejam sal e luz, que transtornem o mundo.

A maioria dos filhos pensa muito mais no terceiro assunto – não em casamento, infelizmente, mas em namoro. Acabam envolvendo-se com alguém do sexo oposto antes de se envolverem com seu chamado. Às vezes, interessam-se por estudo e profissão, mas raramente experimentam na juventude a preciosidade de envolver-se com o chamado pessoal do Senhor para eles.

Isso está errado! Nossos filhos devem descobrir conosco o chamado de Deus para eles. Esse deve ser o motivo da profissão e o critério para se procurar o cônjuge. Pais espirituais ajudam os filhos a encontrarem, no Senhor, essas respostas e a andarem nelas. Pais carnais deixam os filhos descobrirem sozinhos, porque não discernem essas coisas espiritualmente.

Nos países considerados de primeiro mundo, os pais, muito cedo, deixam os filhos agirem e decidirem conforme seus próprios pensamentos. Isso é maldade. A juventude desses países não é melhor por isso; aliás, é muito pior. O mundo cobra decisões, mas não ensina a tomá-las corretamente. Pais espirituais pastoreiam os filhos para que aprendam a ouvir Deus e a tornar-se homens e mulheres guiados pelo Espírito Santo.

 

Pais amigos

A amizade com os filhos se conquista com afeto e coerência. Filhos amados e guiados pelo exemplo e sabedoria dos pais os reconhecerão como amigos. A amizade permite o diálogo aberto que ajuda a evitar decisões erradas. Há muitos problemas considerados normais na adolescência que são, na verdade, consequências do péssimo relacionamento entre pais e filhos. Vícios, violência e outros “desvios de comportamento” poderiam ser evitados se os filhos pudessem conversar com os pais sobre tudo; sobre sentimentos, pensamentos, tentações e ansiedades.

O problema é que muitos pais “não têm tempo”. Filhos precisam de qualidade e quantidade de tempo. Relacionamentos não acontecem, são construídos. É preciso estar junto, conviver, conversar, relacionar-se. Sugiro uma avaliação de nossas rotinas e prioridades. Será que podemos viver com menos dinheiro a fim de ter mais relacionamento com os filhos? Será que não vale a pena deixar de almejar as riquezas e cuidar da herança que já recebemos (Sl 127.3)?

 

Família, viva como igreja!

Um jovem cristão me disse, certa vez, que quando comparava sua casa com a casa de seus amigos não cristãos, sentia que eram eles que tinham mais alegria. Quando crescem, as crianças deixam de ter um olhar ingênuo e passam a perceber e questionar o que veem. Infelizmente, as famílias têm sido um lugar de decepção e frustração para muitos jovens. O ambiente familiar hostil e nada espiritual tem afastado nossos filhos do lugar que mais deveria protegê-los.

Nossa casa precisa ser o melhor lugar do mundo para eles. Para isso, temos de trazer o viver da igreja de volta ao lar. Quando nossa casa for como igreja, nossos filhos voltarão a sentir-se bem nos demais ambientes da igreja. Caso contrário, continuaremos a conviver com pais “crentes” e filhos “desviados”.

Casas que funcionam como igreja são famílias que vivem o verdadeiro evangelho e cultivam a presença de Deus. São casas onde não se professa uma religião, mas se experimenta uma relação pessoal, informal e prazerosa com Jesus. A tradição religiosa fez com que os princípios bíblicos fossem aplicados apenas nos “momentos de culto”. Na “igreja” se vive de um jeito e na casa, de outro. Os filhos percebem tudo e acabam por revoltar-se contra a forma religiosa e errada de igreja que conhecem.

Quando Deus planejou a igreja, criou a família. Igreja e família são, portanto, dimensões diferentes do mesmo organismo. Tudo o que está escrito sobre o viver da igreja deveria ser vivido em família; afinal, igreja são pessoas e não instituições e prédios.

Por exemplo, em Mateus 18.20 está escrito: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Normalmente, utiliza-se esse texto quando há poucos presentes em reuniões de oração com o fim de animar as pessoas a orarem. Mas qual é o lugar onde, desde seu surgimento, só tem duas ou três pessoas? Onde há pelo menos um casal unido em nome de Jesus? Na família. Portanto, Deus quer estar no meio dos casais, entre pais e filhos, unindo irmãos.

Se igreja é casa de Deus, a família precisa ser o lugar onde se experimenta a presença de Deus; se igreja é Corpo de Cristo, a família precisa ser o ambiente em que os dons são utilizados para edificação mútua; se igreja é família de Deus, cada lar tem um Pai soberano para dar direção e distribuir os recursos como quer.

A nova geração não tolera mornidão e hipocrisia. Está cansada de religião e cercada pelo mundo. Casas cheias da presença de Deus, fundamentadas na verdade do evangelho e recheadas com o genuíno amor do Pai, são como montes altos para onde nossos jovens podem correr e equipar-se para a hostil peregrinação nesta Terra.

 

Igreja, viva como família!

Muitos pastores tentam produzir um ambiente atrativo para o jovem por meio de uma programação direcionada. Esse é um desejo louvável, mas perigoso. Igreja são pessoas. Uma igreja atraente são pessoas cheias da vida de Jesus. O Senhor disse que atrairia todos a si mesmo quando fosse levantado da terra (Jo 12.32). Para ser uma igreja atraente, é preciso começar a viver e pregar Jesus Cristo crucificado (1 Co 2.2). O verdadeiro evangelho é o poder de Deus. Atividades podem atrair os jovens às reuniões, mas não os prenderão em Cristo. Uma comunhão genuína com o Corpo, isso sim, prende ao Cabeça.

Precisa haver estratégias que exponham os jovens ao Espírito Santo num ambiente de relacionamento entre iguais e também em ambientes transgeracionais. É assim que toda boa família funciona.

 

Não quero apresentar modelos de ministério a jovens, mas quero defender um estilo de vida de igreja que é atraente a qualquer pessoa de qualquer idade: amor e verdade. Deus é amor e seu Filho é a verdade. A igreja deve ser uma família marcada pelas características do Pai e do Filho. Uma igreja assim segue o modelo da Trindade: Pai, Filho e Ajudador (Espírito Santo). A igreja é a grande família de Deus na qual ele se manifesta por intermédio de muitos pais, muitos filhos, muitas ajudadoras e muitos irmãos. Assim, qualquer pessoa que passa a fazer parte da igreja encontra uma família completa. É assim que Deus faz o solitário habitar em família (Sl 68.6)!

Quantos jovens feridos pelo abandono podem ser curados na igreja! Quantas moças marcadas pelo mundo podem ser saradas na família de Deus! Quanta fúria e amargura da juventude transviada de hoje podem ser aplacadas pelo amor e pela verdade de Cristo em sua igreja! As famílias da igreja precisam ser o lugar onde nossos filhos fazem amizades, onde são guardados e preparados para enfrentar o mundo. Precisamos juntar, em nossas casas, as forças da Palavra e da oração em comunhão para que nossos jovens conheçam o Senhor. Se eles o conhecerem, serão tão atraídos a ele que não conseguirão deixá-lo.

 

Nesse ambiente, Deus poderá levantar pessoas que tenham graça para ajudar a nova geração a conhecer a Cristo e a viver toda a plenitude e alegria de seu Reino – pessoas com dons, com um jeito de ser, uma história de vida e uma linguagem que lhes permitam acessar o coração dos jovens. Tais pessoas nunca devem (nem podem) substituir os pais. Podem, entretanto, cooperar com a família natural agindo como pais espirituais. Os pais são responsáveis pelos filhos, mas não podem fazer isso sozinhos. A igreja é a família de Deus. Deus reparte dons com pessoas que podem ser pais que ajudam outros pais.

O mundo descobriu como doutrinar os jovens em seus sofismas. Gerações inteiras têm sido perdidas por causa disso. Como igreja, precisamos considerar as peculiaridades deste momento da história para saber as situações pela quais os jovens estão passando e oferecer-lhes um lugar de amor, ensino e alegria a fim de poderem abrir-se e ser pastoreados. Essa necessidade deve levar-nos a ouvir de Deus como alcançar o coração da nova geração.

Há 19 anos, tenho estado com jovens em diversas partes do Brasil. Estive em congregações que tinham um trabalho específico com jovens e em outras que não tinham. O problema daquelas que têm atividades separadas é que departamentalizam a família em “ministérios”. Isso acaba favorecendo a fragmentação da família que Deus criou para ser uma unidade e não um conjunto de indivíduos isolados. Além disso, não se pode ajudar um jovem sem considerá-lo em seu contexto familiar.

As congregações que não têm trabalho específico com jovens, por outro lado, erram por desconsiderar a necessidade de oferecer relacionamentos fora da família que cooperem com os pais no papel de guiar os filhos a Jesus. Nenhum de nós consegue, sozinho, cumprir cabalmente o chamado para cuidar dos filhos. Por isso, a igreja é um corpo de muitas partes e cada uma delas tem capacidades, dons e graça para ajudar as demais.

 

Penso que a igreja deve investir em práticas com jovens que considerem o contexto social, espiritual e familiar em que vivem. Pastores que ajudem os pais na condução das ovelhinhas do Senhor ao projeto que tem para elas. Estratégias que utilizem o contexto do jovem para ensiná-lo a viver tudo o que qualquer filho de Deus de qualquer época e idade tem o privilégio de viver.

É importante que nossos filhos tenham amigos espirituais com quem possam conviver e crescer no Senhor; gente que compreenda o tempo e os conflitos em que vivem. Mesmo no mundo individualista em que estamos, sempre surgem os candidatos a amigos. Deus pode alcançar pessoas perdidas por meio de amizades com os jovens que já foram transformados. É essencial, porém, que antes sejam fortalecidos e edificados com amizades saudáveis na família de Deus.

por Tony Felicio
Revista Impácto

Maturidade e Responsabilidade – Mudando a Transição


No artigo anterior, descrevemos como as mudanças econômicas e tecnológicas ao longo de décadas transformaram a fase de transição entre a infância e a idade adulta num período prolongado de adolescência, com características indesejáveis e traumáticas que a sociedade – e a igreja – passaram a considerar inevitáveis.

Não podemos negar as condições que geraram tais sintomas e que existem ainda hoje no mundo. Nossos filhos e toda a “garotada” dessa faixa etária da igreja enfrentam influências muito fortes em seu convívio diário. Estão inseridos em um mundo que cultua sensações de prazer e tenta manipular as mentes com o esquema maligno de “oferta-estímulo-desejo-compra-satisfação”.

A mensagem que queremos passar, entretanto, é esta: não precisamos ficar de braços cruzados e aceitar as características da adolescência atual como obrigatórias e inevitáveis. Podemos fazer algo para mudar essa fase na vida daqueles que estão sob nossos cuidados.

 

Usando o manual do fabricante

Como cristãos, temos uma grande vantagem sobre todos os outros seres humanos: o “manual do fabricante”, a Bíblia. Ela nos dá as chaves para entender a natureza humana e saber o que precisa ser feito, de acordo com o Criador, para corrigir os desvios e aberrações durante as fases de desenvolvimento.

O primeiro ponto de compreensão que adquirimos diz respeito à natureza perversa que contamina a criança desde o nascimento. Enquanto outros pais costumam ver nos filhos “coisinhas lindas, puras e inocentes”, a Bíblia revela que eles já nascem corrompidos, proferindo mentiras, com veneno semelhante ao de serpentes (Sl 58.3-5). Essa é a condição espiritual deles, e nós, pais, precisamos admitir isso a fim de agir corretamente. Nossos filhos nasceram em pecado, com a natureza rebelde de Adão. Precisam ouvir o evangelho a fim de crerem e receberem Jesus como Senhor de sua vida. A melhor prevenção contra os males da adolescência é dar-lhes a vacina contra o mundo: o Reino de Deus, a nova criação, o caminho de Jesus. É imprescindível apresentar Jesus aos nossos filhos desde cedo para que o Pai possa transportá-los do império das trevas para o seu Reino. Assim, eles passarão a ser regidos por outro princípio de vida, não por estes que são do mundo.

 

Mudança de fase como processo de maturidade

A criança cresce e passa por mudanças desde o nascimento. Na medida em que uma pessoa cresce, ela se torna progressivamente mais completa. Assim, uma criança de 5 anos é diferente em sua maneira de pensar e agir de um jovem de 15 anos ou de um adulto de 30. Se, durante o crescimento, as crianças encontrarem referências estáveis na família, elas amadurecerão naturalmente sem se tornarem revoltadas ou doentes.

Deus não só planejou momentos distintos de desenvolvimento, mas atribuiu capacidades e tarefas específicas a cada um deles. É na puberdade que a criança adquire a capacidade de reprodução planejada por Deus como parte essencial da missão original que deu ao homem (Gn 1.28). Portanto, é uma fase legítima que contém intensas mudanças e crises importantes. O que precisamos fazer é entender como transformar essa fase num período construtivo para conduzir a criança a ser homem ou mulher responsável e a adquirir a identidade que Deus lhes preparou.

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1.27).

Se as crianças crescerem ouvindo sobre o projeto de Deus para a masculinidade e para a feminilidade, creio que não serão dominadas pelo sexualismo pós-moderno. A sociedade reduziu o gênero a sexo. Deus não pensa assim. Há muito mais em ser homem e mulher do que poder ter relações sexuais. Cada homem foi planejado para ser cabeça, provedor, agente do amor e do cuidado de Deus na Terra. Cada mulher foi planejada para ser ajudadora, realizadora, agente da sensibilidade e do zelo de Deus.

Nossos filhos precisam saber que a sexualidade deles faz parte de um projeto eterno, maior, espiritual; o projeto que Deus tem de ter na Terra uma grande família de filhos semelhantes a Jesus. A puberdade deve ser esperada como um importante passo em direção a integrar-se no supremo propósito. Pais, em nome de Jesus, não ajam como se seus filhos tivessem de ser hormonais, carnais; creiam: eles podem ser profundos, espirituais!

O problema é que significados errados são atribuídos às mudanças físicas. O garoto deveria conceber o desenvolvimento da massa muscular como uma capacidade para o trabalho. Por causa da cultura, entretanto, ele aspira ser um “símbolo sexual”. A menina deveria compreender o crescimento dos seios como uma preparação para a maternidade, mas é induzida a desejar seios grandes e “atraentes”. Todas as mudanças planejadas por Deus têm um sentido espiritual e eterno, mas, no mundo, adquirem um sentido carnal e banal.

Nesse processo de crescimento como homem e mulher, é importante associar puberdade à mudança de fase. Os pais devem ensinar aos filhos sobre as mudanças, e, quando estas ocorrerem, devem ser celebradas com alegria. A menarca deve ser recebida com festa de maneira que a menina saiba que está passando a ser mulher. No caso dos meninos, os pais podem marcar um momento para celebrar essa passagem. Pode ser o aniversário de 13 anos, por exemplo.

Juntamente com essa celebração, que associa as mudanças a algo espiritual (família), os filhos devem passar a ter novos desafios e novas responsabilidades. Isso ajudará a promover situações que desenvolvam habilidades, revelem o caráter e firmem a identidade. Para uma ajuda prática a esse respeito, recomendo a leitura do livro Bar Barakah de Craig Hill (Bless Gráfica e Editora). Também sugiro a leitura de bons livros sobre hombridade e feminilidade no propósito de Deus.

 

Achando a identidade

A puberdade implica novas capacidades e consequentes responsabilidades. O mundo ressalta essas capacidades e atribui-lhes um significado conveniente aos seus interesses. Foi Deus, porém, que teceu nossos filhos e lhes deu capacidades e características específicas. Cabe à família e à igreja ajudá-los a descobrir cada aspecto de sua identidade em Deus, que é o único que tem o segredo do seu “funcionamento”. Eles não precisam conhecer o mundo. Também não precisam explorar seus instintos e dar vazão à sua vontade para saber quem são. Precisam conhecer Deus à medida que crescem no ambiente de uma família na qual Jesus reina.

A puberdade não precisa fazer adoecer. Ela pode ser um momento de descobertas maravilhosas sobre o propósito eterno e pessoal de Deus para cada um. Se conduzirmos nossos jovens a Jesus, eles não precisarão de dez anos de adolescência para descobrir quem são. Também não desperdiçarão o melhor de suas forças, entregando-se às paixões da mocidade. Serão fortes, vencerão o maligno e guardarão a Palavra (1 Jo 2.14).

A identidade tem elementos intrínsecos à natureza de cada um e outros que são adquiridos. Dar responsabilidades é um excelente instrumento de formação de identidade, de caráter. Deus age assim. Daniel e seus três amigos eram jovens, mas nem por isso influenciáveis. Diante da pressão do rei Nabucodonosor para que se misturassem com os costumes babilônicos, permaneceram fiéis ao Senhor e não se contaminaram. Em nossos dias, quando os jovens se enchem de atitudes e comportamentos mundanos, dizemos: “São apenas adolescentes!”

Deus colocou os amigos de Daniel numa situação de grande risco. Fez com que passassem por enormes pressões. Foi assim que Deus tornou aqueles moços capazes de assumirem a responsabilidade de glorificá-lo no meio da Babilônia.

Com os discípulos, alguns dos quais provavelmente eram jovens, não foi diferente. Jesus os selecionou, instruiu-os com sua Palavra e os influenciou com sua vida. Desafiando-os, dando-lhes exemplo e capacitando-os, Jesus os submeteu a tarefas difíceis e situações complicadas. Foi assim que Jesus formou 12 homens que se tornaram 12 pedras fundamentais da Igreja.

Por que, ao invés de subestimarmos nossos jovens, oferecendo-lhes um “evangelho gospel”, adaptado à adolescência, não os tratamos como homens e mulheres capazes de suportar pressões, vencer o mundo e ser transformados pelo evangelho da cruz de Cristo? Nossos filhos não merecem que os privemos daquilo que pode realmente fazê-los felizes. Nosso dever é expô-los a Jesus, às coisas lá do alto e não daqui do mundo.

Nossos filhos são aguardados por Deus como servos fiéis para serem enviados às nações como embaixadores do Reino. Não podemos ter outra expectativa, não podemos esperar que sejam apenas jovens comuns. Deus quer jovens capazes de transtornar o mundo e não de adaptar-se a ele.

 

Rebelião é normal?

A rebelião é considerada uma característica da adolescência. Isso é tão forte e perigoso que norteia o comportamento da justiça em relação ao menor infrator. Quem é menor de idade comete crimes tão terríveis quanto os maiores, mas a sociedade dá mais liberdade sem exigir responsabilidade correspondente. Essa é uma das consequências da mentalidade sobre a fase adolescente impregnada na cultura ocidental.

Ensina-se a liberdade para fazer o que quiserem, mas não se ensina o peso das consequências do que fazem. Isso tem produzido uma juventude que se apega apenas a si mesma. Meninos e meninas, sozinhos em seus instintos, vontades e conflitos, tornam-se rebeldes, incapazes de reconhecer o valor da obediência e da submissão. No mundo da adolescência, rebelar-se é algo normal e, às vezes, até incentivado. Mas o que é rebelião? De onde ela vem? Do coração de cada descendente de Adão.

Todos nascem rebeldes e crescem assim até que o encontro com Jesus e o confronto com o evangelho do Reino os levem ao arrependimento. A rebeldia não é uma característica normal. É pecado, afasta de Deus. Cabe aos pais levarem os filhos a Jesus para que se arrependam e deixem de ser rebeldes. Se os pais não se omitirem dessa responsabilidade, seus filhos serão convertidos e, portanto, libertos da rebeldia.

A autoridade dos pais é a dádiva do amor de Deus aos filhos. Filhos rebeldes precisam de pais submissos e cheios do Espírito que lhes sejam referência de Deus. Pais que amam, ensinam e corrigem livrarão os filhos da rebelião. Pais ausentes geram filhos abandonados a si mesmos e, consequentemente, entregues à própria natureza rebelde com todas suas potencialidades. Pais presentes, mas que se omitem, geram a mesma realidade.

É tempo de os pais converterem o coração a seus filhos para que estes convertam o coração a seus pais. Pais de corações convertidos aos filhos são pais que direcionam a vida para conduzir os filhos ao Senhor. Filhos de coração convertido aos pais são filhos que andam na direção que os pais apontam. O poder de Deus está disponível para os pais; encontra-se na Palavra, na oração e na comunhão dos santos.

Está na hora de rejeitarmos terminantemente as características negativas da adolescência assim como rejeitamos tudo o que é mundano, que se opõe ao plano original de Deus. Pais e pastores, despertem para essa necessidade antes que seja tarde, antes que a adolescência faça adoecer todas as nossas crianças. Nossas famílias e igrejas precisam prover um ambiente cheio de Deus, não cheio de programas. O evangelho adaptado perde seu poder. A cruz não precisa ser pintada de muitas cores para chamar a atenção de nossos filhos. Tomemos, como Paulo, a decisão de pregar a Jesus Cristo, e este crucificado, e veremos nossos filhos rendidos ao Pai. Não queremos adolescentes nem “aborrecentes”; queremos apenas crentes, discípulos de Jesus. Portanto, vamos e geremos nossos filhos para Deus, façamos discípulos!

por Tony Felicio
Revista Impácto

“Adolescência – Fase obrigatória ou invenção moderna?”


Adolescência Precisa Ser Assim?

Desejada pelos filhos e temida pelos pais, a adolescência é considerada, por muitos, como fase negativa, conturbada e tempestuosa, cheia de adaptações complexas, difícil de ser tolerada. Ao mesmo tempo, ninguém questiona a inevitabilidade de tal período na vida do ser humano em desenvolvimento. É como se fosse absolutamente necessário assumir certas posturas negativas durante essa fase.

A rebelião, por exemplo, é aceita na adolescência como normal. Acredita-se mais nisso do que no evangelho do Reino que denuncia a rebelião como raiz de todo pecado, como atitude que requer arrependimento. Quantos comportamentos pecaminosos são absolvidos quando se aplicam a adolescentes!

Será que essa concepção é correta ou um sinal de contaminação mundana dentro da igreja? A adolescência, como se apresenta hoje, é uma criação de Deus ou uma invenção de homens?

 

O que é a adolescência?

Se pesquisarmos nos dicionários, encontraremos a origem da palavra “adolescente” no latim adolescere:que se desenvolve, cresce”. Há, porém, uma explicação mais complexa. Cito, a seguir, um estudo apresentado recentemente:

A palavra adolescente tem uma origem etimológica dupla. Se, por um lado, significa crescer, por outro, possui a mesma raiz da palavra adoecer, do latim adolescere. Esses significados, até mesmo contraditórios, são capazes de ilustrar a instabilidade emocional que caracteriza essa etapa da vida, mesclando desenvolvimento e regressões que, muitas vezes, podem dificultar um estabelecimento claro das fronteiras entre o normal e o patológico nessa fase da vida (COSTA, 2002).

 Para a psicologia naturalista, a adolescência é uma fase de transição natural e universal entre a infância e a idade adulta. Julga que todo ser humano tem esse período registrado em sua natureza, em sua genética. Sendo assim, não importam fatores externos, culturais, históricos ou sociais: toda criança será adolescente antes de ser adulta.

 Sua principal característica seria a puberdade, incluindo todo o conjunto de mudanças físicas causadas pelas intensas variações hormonais iniciadas no final da infância. Alterações de voz, crescimento de pelos, definição da forma do corpo, desenvolvimento dos órgãos sexuais e outras transformações desencadeiam uma nova forma de percepção de si mesmo, do outro e do mundo.

A essa mudança de percepção, associa-se uma nova mentalidade e um conjunto de comportamentos característicos resultante. O ser fisicamente diferente induz a uma busca de identidade e autoafirmação que gera as pressões e os conflitos causadores dos chamados problemas da adolescência. Assim se explicam a insegurança, a instabilidade e a tendência à rebelião, bagunça e irreverência que caracterizam essa idade.

Para a maioria das pessoas, essa psicologia está correta. Pais e igreja, de maneira geral, aceitam e até se preparam para enfrentar a adolescência. Mas o que realmente faz parte da fase de transição e o que poderia ser evitado?

 

Adolescência: uma invenção recente?   

Pode vir como choque para quem está tão acostumado à existência da adolescência como se apresenta hoje, mas nem sempre foi assim. Na verdade, a adolescência foi descrita como fato social somente em 1976 (ERICKSON, E. Identidade, juventude e crise. Rio de Janeiro: Zahar, 1976). É evidente que ela já existia há mais tempo, mas a formulação do conceito científico se deu apenas naquele ano.

Um exame minucioso demonstrará que as características sócio-históricas que levaram à formulação desse conceito foram, na verdade, terríveis consequências da degeneração da família.

A família sempre fora o ambiente de maior vínculo afetivo na sociedade. Havia um ambiente naturalmente seguro para a criança crescer e tornar-se um homem ou uma mulher. A partir da revolução industrial, o pai deixou a casa (ou cultura agrícola na proximidade da casa) para trabalhar na indústria. Depois, a mãe também passou a ser requisitada. Os filhos eram deixados em escolas onde passaram a construir um grupo social próprio com características afins. As novas tecnologias de produção geraram a necessidade de mão de obra especializada. Com isso, os jovens tinham de passar mais anos na escola e cada vez menos tempo em família.

Esse processo de desestruturação familiar relacionado à revolução industrial gerou, dessa forma, uma comunidade de jovens sem referência. Como amadurecer convivendo apenas com pessoas nas mesmas condições de maturidade e com os mesmos conflitos? Ali nascia a adolescência, caracterizada por um longo período de indefinições provocadas pela perda do ambiente em que essas definições viriam naturalmente. Sem pais como referência de homens ou mães como referência de mulheres para conduzirem os filhos com segurança e tranquilidade à idade adulta, cada nova geração sentia-se mais confusa e perdida que a anterior.

O que vemos hoje, portanto, não se trata de uma fase determinada geneticamente, mas de uma realidade produzida por mudanças sociológicas.

 

Muita informação sem preparação

A mudança nas tecnologias de informação é outro fato histórico pertinente. As informações a que temos acesso determinam nossos interesses e ações. Há quatro séculos, o mundo infantil era bem distinto do mundo adulto. Havia assunto de criança e assunto de adulto. As conversas de um não eram permitidas no ambiente do outro.

Essa distinção era mantida pelos valores sociais vigentes e fortalecida pela incapacidade que a criança tinha de ter acesso à informação. Para saber o que os adultos sabiam, a criança teria de ler, já que as informações eram compiladas graficamente. Como não sabiam ler ou não tinham acesso aos livros dos adultos, o mundo imaginário das crianças era preservado até que adquirissem a chave para entrar na sala de leitura e descobrir o mundo dos adultos.

As crianças iam tomando conhecimento de fatos e conceitos de maneira mais coerente com seu desenvolvimento. O saber estava mais associado ao porquê e para que da informação. A leitura exigia desenvolvimento cognitivo para ser compreensível. E esse desenvolvimento acabava sendo uma boa referência para determinar o que seria apropriado para a criança aprender.

Com a revolução gráfica, as imagens tomaram o lugar da escrita e passaram a unir os dois mundos. Uma criança pode, por exemplo, no intervalo de um programa infantil, assistir a uma terrível cena de violência numa manchete de telejornal. A imagem transmitirá conceitos e sensações sem nenhum impedimento. É dessa forma que as crianças têm acesso a coisas com as quais não são capazes de lidar. Quantos pais têm se surpreendido com o que os filhos sabem sobre sexo mesmo sem jamais terem conversado com eles sobre o assunto! Muitas vezes, os filhos, além de saberem, também fazem muitas coisas que não deveriam.

O adolescente de hoje é produto dessa realidade. Ele tem acesso a tudo, mas não sabe lidar com muitas coisas porque ninguém o instruiu. Ele reivindica o direito de fazer qualquer coisa porque já tem conhecimento, mas se nega a assumir as consequências do que faz porque não se considera maduro o suficiente.

A informação que a criança recebe precisa ser coerente com sua formação. Ela precisa ter valores e princípios antes de ter conceitos e habilidades. Ninguém deve dar uma arma a uma pessoa que não reconhece os riscos de utilizá-la. A mídia tem feito exatamente isso. Imagens de estímulo à sensualidade e à violência passam o tempo todo diante dos olhos de nossas crianças. Uma geração inteira está sendo instruída para o mal enquanto os pais estão ausentes em seus empregos. Ficam satisfeitos porque os filhos estão “seguros” na frente dos computadores ou jogos eletrônicos.

A adolescência de hoje, portanto, não é uma fase natural. Ela existe, porém é preciso compreender que surgiu como uma construção histórico-social. Há mudanças legítimas durante o desenvolvimento de uma pessoa, mas isso não torna todos os problemas legítimos.

 

O que acontece em outras culturas?

Uma breve pesquisa é suficiente para se perceber que a longa e dolorosa transição da adolescência é vivida de forma bem diferente em outras culturas. Em algumas, a idade adulta chega por meio de um mero ritual de passagem. O desafio, o sofrimento e a responsabilidade são elementos frequentes nesses ritos.

No Alto Xingu, um jovem da etnia yawalapiti passa a ser considerado adulto quando sua pele é arranhada até sangrar com o uso de dentes de peixe. Meninos da etnia xhosa, na África do Sul, tornam-se homens maduros após uma circuncisão.

Os filhos e filhas de judeus são recebidos como homens e mulheres responsáveis pelos seus atos após uma cerimônia de bênção: Bar Mitzvah (menino) e Bat Mitzvah (menina).

Por que, no mundo não influenciado pela cultura ocidental, a fase de transição é tão diferente? Por que, de maneira geral, no meio dos povos orientais que ainda mantêm uma estrutura familiar valorizada a adolescência é mais curta e menos traumática? Esses são apenas poucos de muitos exemplos que poderiam ser considerados.

 

Adolescência e problemas familiares

Por que não se falava em adolescência há cinco décadas? Por que os índices de violência aumentaram tanto? Por que os problemas ligados à atividade sexual também cresceram?

É evidente que essas perguntas têm muitas respostas. Quero salientar, entretanto, que os fenômenos citados acima surgiram juntamente com a adolescência. Os dados a seguir[2], por se referirem ao momento e a um dos lugares onde “nasceu” a adolescência (Estados Unidos), sugerem algumas respostas.

Os pais se divorciam hoje duas vezes mais do que 20 anos atrás e, consequentemente, mais crianças são envolvidas em dissolução matrimonial. Foram 1,018 milhão de casais em 1979 em comparação com 562 mil em 1963.

Em 1950, 10,9% dos domicílios americanos tinham só um dos pais. Hoje, já são 22%. Isso demonstra que os americanos começaram a ter menos filhos e a passar menos tempo junto com eles para criá-los.

Também em 1950, os adultos (acima de 15 anos) cometeram delitos graves numa taxa 215 vezes mais alta que a dos crimes praticados por crianças. Em 1979, essa proporção era apenas 5,5 vezes maior. Isso não foi porque a taxa de criminalidade entre os adultos diminuiu; na verdade, aumentou três vezes entre 1950 e 1970. O que explica a diminuição da desproporção entre a quantidade de crimes cometidos por crianças e por adultos é o assustador aumento da criminalidade infantil. Entre 1950 e 1979, o índice de crimes cometidos por pessoas com menos de 15 anos aumentou 11.000% (isso considerando só crimes graves: assassinato, estupro, roubo, assalto).

O início da puberdade no sexo feminino vem caindo quatro meses por década nos últimos 130 anos. Em 1900, a idade média em que acontecia a primeira menstruação era de 14 anos, ao passo que, em 1979, era de 12 anos. Essa precocidade do amadurecimento sexual feminino deveria aumentar a atenção na educação sexual responsável, mas não é o que ocorre. É só observar o comportamento sexual atual apontado por algumas pesquisas.

Estudos realizados por uma universidade americana concluem que a frequência da atividade sexual entre adolescentes solteiras, em todas as raças, aumentou em torno de 30% entre 1971 e 1976. Aos 19 anos, 55% delas já haviam tido relações sexuais. Como consequência, os partos em adolescentes passaram a constituir 19% de todos os partos nos Estados Unidos em 1975.

Entre 1956 e 1979, a porcentagem de crianças entre 10 e 14 anos que sofriam de gonorreia aumentou quase três vezes: de 17,7 em cada 100 mil pessoas, passou para 50,4.

 

O desafio

Os dados acima não podem ser interpretados como normais. Refletem uma realidade (e uma doença) familiar. Considerar adolescência como normal seria considerar também como normais os problemas que surgiram juntamente com ela.

É evidente que não podemos mudar a sociedade como um todo, nem tirar os fatores que geraram todas essas mudanças. Como cristãos, entretanto, também não devemos aceitar os problemas e características da adolescência como inevitáveis.

O que fazer então? Brigar com os adolescentes, como se fossem causadores de todos esses problemas? Tentar fugir do mundo em que vivemos, reproduzir as condições de um ou dois séculos atrás? Copiar uma dessas culturas diferentes nas quais a transição para a fase adulta é mais suave?

Quais são os fatores e princípios que poderão nos ajudar a resgatar esse período tão vital e importante na vida dos nossos filhos e dos adolescentes e jovens que estão à nossa volta? O que é genético e o que pode ser alterado quando as condições dos lares e igrejas forem alteradas?

por Tony Felicio
Revista Impacto

“O CASO DAS MINHOCAS AZEDINHAS”


“O Caso das minhocas azedinhas”.


Nos dias 30, 01 e 02 de novembro, desfrutamos de um tempo maravilhoso num retiro de casais em Caxambu – MG, e o interessante é que o Senhor tinha algo reservado para nos ensinar antes mesmo de chegarmos a nosso destino. Faltando 90 km para chegarmos ao hotel, um dos irmãos que estava viajando conosco e guiando o comboio, percebeu que algo de errado estava acontecendo com seu carro, nos comunicamos e em seguida paramos num posto de gasolina. Amenizada a situação, seguimos viajem até uma cidadezinha de São Paulo chamada Cruzeiro, aonde vimos que seria impossível seguirmos, então paramos em frente uma oficina, onde o mecânico nos disse que o motor do carro de nosso companheiro estava batido e não havia nada a fazer. Tristeza e preocupação tomaram conta de nosso comboio naquele momento, sabíamos que estávamos muito longe, tínhamos que seguir viajem mais também não poderíamos deixá-lo para trás. Encostamos todos os carros, enquanto nosso companheiro seguiu com sua esposa para o centro da cidade numa tentativa de solução para tal problema. Enquanto isso, em nosso carro, um irmão saca de sua bolsa um saco de balas coloridas em formato de minhoca, o calor já era muito forte, comer doce já não era uma boa idéia por causa da sede que viria, mais o desejo de adoçar nossa viajem era maior. Amigo nunca comi algo tão azedo na minha vida! O fato mais intrigante dessa azeda bala de minhoca é que no fim dela, ela fica docinha como se nunca tivesse sido azeda. Que forma engraçada que o Espírito Santo encontrou de nos acalmar naquele momento! De forma doce e suave o Senhor nos acalmou sobre nosso fim de dia. A primeira coisa que fiz depois de conhecer as “minhocas azedinhas” foi apresentá-las aos demais irmãos, assim que cada irmão envergava os olhos com o azedo da bala, eu vinha com a “doce” analogia que o Senhor nos trouxe naquela tarde.

O Senhor de fato é muito bom! Nosso companheiro embora com o motor batido, conseguiu encontrar um anjo no meio do caminho que o levou até o hotel onde estaríamos retirados, e em relação à doce presença de Deus, sem dúvida tivemos um dos encontros mais ricos em palavra profética que pude participar.

 

Rafael maroun