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“Logos e Rhema”

Em grego, o idioma em que se escreveu o Novo Testamento, existem dois vocábulos que se traduziram ao espanhol como “palavra”. Um é ‘logos’, e o outro é ‘rhema’. Embora o significado geral é “palavra”, em grego os dois vocábulos mencionados têm matizes diferentes, que o vocábulo espanhol não reflete.

‘Logos’ é a Palavra de Deus que foi dita uma vez. ‘Rhema’ é a Palavra que foi dita pela segunda vez. A Bíblia inteira é a Palavra (logos) de Deus. É o que Deus já falou na história, é a palavra de verdade, uma revelação completa, cabal, da vontade de Deus para o homem.

Mas a Bíblia não é o ‘rhema’ de Deus, porque o ‘rhema’ é o que Deus nos fala pela segunda vez, por meio do Espírito Santo, em forma específica ao nosso coração. O ‘logos’ é a Palavra objetiva; ao contrário o ‘rhema’ é a Palavra subjetiva. Quando María recebeu a visita do anjo, lhe trouxe o ‘rhema’ de Deus. Por isso María pôde dizer: “Faça-se comigo conforme a sua palavra” (‘rhema’) (Lc. 1:38). Deus tinha falado a ela especificamente.

O ‘rhema’ de Deus não é independente do ‘logos’, pois se apóia nele. Quando Deus nos fala de maneira específica, o Espírito Santo usará o ‘logos’ para fazê-lo, e o fará aplicando-o à nossa situação presente. Um fragmento do ‘logos’ se transformará em ‘rhema’ para nós, e suprirá nossa necessidade. Quando o Senhor respondeu a Satanás no deserto disse: “Não só de pão viverá o homem, mas também de toda palavra (‘rhema’) que sai da boca de Deus” (Mat. 4:4). O Senhor tinha recebido o ‘rhema’ de Deus, esse era seu alimento, portanto não precisava converter as pedras em pão.

São os ‘rhemas’ de Deus os que nos alentam, exortam-nos, edificam-nos. São as respostas de Deus, procedentes de sua Palavra, que nos enchem o coração de certeza, gozo e paz. Conta-se o caso de uma jovem que era muito medrosa, e que não suportava a escuridão. Quando ela se converteu, vencia seu medo pondo a Bíblia debaixo de seu travesseiro pelas noites. Mas um dia Deus lhe falou: “Não temas”. E descobriu que na Bíblia aparece 365 vezes essa expressão. Então ela pensou que era a resposta de Deus, para vencer o medo cada dia do ano. Desde então ela não temeu mais: tinha recebido um ‘rhema’ de Deus.

Como a igreja é purificada hoje das impurezas do mundo? “Pela lavagem da água pela palavra” (‘rhema’) (Ef.5:26). Que importante é! Quanto necessitamos dos ‘rhemas’ de Deus!

Agora, como obter estes ‘rhemas’? Primeiro, devemos estar muito familiarizados com o ‘logos’. Temos que encher nossa mente e nosso coração com a Bíblia; assim, o Espírito Santo terá muito o que lançar mão para nos falar em situações determinadas. O Espírito Santo tomará a letra da Palavra (o ‘logos’) e a transformará em espírito, pois a Palavra (o ‘rhema’) é espírito e vida, é a palavra viva de Deus.

Se nos abrirmos a Palavra de Deus (o ‘logos’), para que abunde em nosso coração, os rhemas abundarão também em nossa vida, e assim a palavra de Deus paulatinamente se irá encarnando em nós. Quer dizer, iremos sendo transformados na mesma imagem de nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte: Águas Vivas

“A Vida” – por Watchman Nee

Estamos conscientes do fato de que a vida surge espontaneamente na obra, mas a obra não pode ser um substituto para a vida”.

Cristo é a Vida

Após as palavras “Eu sou o caminho a verdade”, o Senhor continua com “e a vida”. Estamos conscientes do fato de que a vida surge espontaneamente na obra, mas a obra não pode ser um substituto para a vida. Devemos ser cristalinos aqui porque obra não é vida – pois vida não é esforço, vida é a pessoa de Cristo. Como as pessoas labutam para serem cristãos! Como estamos cansados pelo esforço diário. Quanto severa são estas doutrinas, pois elas exigem de nós humildade, generosidade, perdão, e longanimidade. Elas literalmente nos desgastam. Muitos admitem que ser cristão é uma tarefa difícil. Isto é verdade especialmente para os crentes jovens. Quanto mais eles tentam, mais difícil ela se torna. Após terem tentado por um certo tempo, eles ainda não se tornaram semelhantes a um cristão. Irmãos e irmãs, se Cristo não é vida, devemos fazer a obra; mas se Ele é vida, então não precisamos batalhar. Repetidamente dizemos que a pessoa de Cristo é vida e que a obra não pode nunca substituir a vida. Há um grave engano impregnado entre os filhos de Deus. Muita vida considerada como alguma coisa eles devem possuir pelas suas próprias forças, ou então não há vida. O que todos nós devemos compreender é, que se há vida não haverá de maneira alguma a necessidade de fazermos nós mesmos, mas aquela vida fluirá naturalmente. Considere por um momento como nossos olhos vêem e como nossos ouvidos ouvem. Nossos olhos vêem muito naturalmente e nosso ouvidos ouvem espontaneamente porque há vida neles. Devemos ser claros neste ponto: vida flui naturalmente na obra, mas a obra nunca é um substituto para vida. Algumas vezes a obra prova a ausência de vida ou a fraqueza de vida. Vida gerará moralidade, mas boa moralidade não é suplemento para vida. Por exemplo um irmão pode ser muito gentil, moderado e reservado. Alguém o elogiará, dizendo “A vida deste irmão não é má.” Não, ele usou a terminologia errada. Como o Senhor disse, “Eu sou a vida.” O quanto gentil, moderado e reservado este irmão possa ser, se estas coisas não vêem de Cristo elas não são reconhecidas como vida. É perfeitamente verdadeiro dizer que este homem tem um bom temperamento ou ele raramente causa alguma dificuldade ou ele sempre trata as pessoas bondosamente e nunca discute; mas não pode se dizer que ele tem uma vida espiritual rica. Se estas coisas são naturais para ele elas não são vida, porque elas não procedem de Cristo. Outras pessoas acalentam um outro pensamento. Elas concluem que vida é poder. Ter o Senhor como nossa vida significa ser-nos dado Seu poder para fazermos o bem. Entretanto, Deus nos mostra que nosso poder não é uma coisa; ele é simplesmente Cristo. Nosso poder não é a força para fazer coisas; mas sim, uma Pessoa. Vida para nós não é somente poder mas também uma Pessoa. É Cristo quem se manifesta em nós, ao invés de usarmos Cristo para apresentar as nossas boas obras. Certa vez um irmão assistiu uma reunião em certo lugar. Ele foi questionado por um cristão idoso, “Porque você vai àquela reunião?” “Porque lá há vida,” respondeu. O homem idoso disse, “Sinceramente, com respeito ao entusiasmo, nossas reuniões não são comparáveis às daquele lugar.” “Você não entende,” replicou o irmão. “Aquele lugar não tem ao menos uma atmosfera frenética.” “O que você quer dizer?” perguntou o irmão idoso. “Como pode haver vida se não há calor?” Respondeu o jovem irmão, “Não há nada disso nem mesmo barulho por lá, e ainda assim há vida. Porque vida necessariamente não tem que ser emocionalmente excitante ou entusiástica ou calorosa ou barulhenta.” Então o homem idoso filosofou, “Talvez as pessoas jovens gostem do fervor, mas eu prefiro palavras séria. Quando ouço palavras profundas, encontro vida. Acho que isto de fato é vida.” Mas o jovem irmão disse como resposta, “Por muitas vezes ouvi as palavras profundas a que você se refere, mas não encontrei nenhuma vida.” Queridos, da conversação entre este dois homens, podemos ver que vida não é emoções excitantes nem palavras profundas. Palavras de sabedoria, discursos inteligentes, argumentos lógicos e dissertações profundas não são necessariamente vida. Não surpreendentemente, alguém irá perguntar, “Quão estranho que vida não é fervor nem pensamentos elevados. Onde, então, podemos encontrar vida? O que é vida afinal?” Confessamos que não temos uma forma melhor de expressar este assunto da participação na vida comunicada. Tudo o que podemos dizer é que ela é alguma coisa mais profunda do que emoção ou pensamento. Uma vez que alguém a encontra, ele imediatamente será avisado interiormente. Isto é chamado de vida. O que é vida? Vida é mais profunda do que pensamento; pensamento nunca supera vida. Ela é mais profunda do que emoção; emoção é superficial em comparação com vida. Se pensamento ou emoção, são relativamente externos, o que, então, é vida? O Senhor Jesus declarou: “Eu sou a vida.” Não devemos precipitadamente concluir que encontramos vida quando tudo o que encontramos é um tipo de atmosfera quente, a assim chamada espiritualmente de atmosfera quente. Pelo contrário poderíamos perguntar, quando tal atmosfera surge? Muitas das experiências nos confirmam que muitos dos que estão habilitados a criar atmosfera quente sabem muito pouco sobre o Senhor, muitas pessoas emocionáveis estão um tanto carentes do conhecimento do Senhor. Somente Cristo é vida, o resto não o é. Precisamos aprender a lição do conhecimento da vida. Pois vida não depende de quanto entusiástica é a nossa emoção ou quanto formal é o nosso pensamento; ela repousa exclusivamente no quanto o Senhor tem manifestado a Sua própria pessoa. Não há entretanto nada mais importante do que conhecer ao Senhor. Quando estamos conhecendo o Senhor estamos tocando vida. Deveríamos ver diante de Deus o significado de Cristo nossa vida. Aqueles que facilmente se emocionam ou são especialmente inteligente não são necessariamente pessoas que conhecem o Senhor. Conhecê-lo requer uma visão espiritual. Tal visão é vida e ela nos transforma. Se conhecemos o Senhor como nossa vida, percebemos a total futilidade de todos os esforços nos assuntos espirituais. Por esta razão olhamos só para Ele. Quando pela primeira vez cremos no Senhor, não percebemos qual o verdadeiro significado de olhar para Ele. Mas gradualmente aprendemos cada vez mais a olhar para Ele, reconhecendo que todas as coisas dependem de Cristo, e não de nós. No começo do nosso caminhar cristão desejamos possuir uma coisa após outra; não podemos confiar Nele para nada. Depois aprendemos um pouco mais, recebemos algum entendimento de como é necessário confiarmos Nele; não no sentido de crermos Nele para garantir-nos item por item, mas no sentido de confiarmos Nele para fazermos o que não conseguimos fazer por nós mesmos. Quando nos tornamos cristãos, estamos inclinados a fazer todas as coisas nós mesmos, temendo que nada pudesse ser feito ou que as coisas se despedaçariam se não as fizéssemos. Mais tarde, tendo visto o Senhor ser nossa vida, sabemos que tudo é de Cristo e não de nós. Conseqüentemente, aprendemos a descansar e olhar para Ele. Tenhamos em mente que ao invés de nos dar um objetos após outro, Deus nos dá Seu Filho. Por causa disto, podemos sempre elevar nossos corações e olhar para o Senhor, dizendo “Senhor, tu és meu caminho; Senhor, tu és minha verdade; Senhor, tu és minha vida. És tu, Senhor, quem importa para mim, não as suas coisas.” Peçamos para Deus nos dar graça para que possamos ver Cristo em todas as coisas espirituais. Dia após dia somos convencidos que fora de Cristo não há caminho, nem verdade, nem vida. Ou, chamamos a atmosfera quente de vida, rotulamos pensamentos elevados de vida. Consideramos emoções fortes ou comportamento exterior como vida. Na realidade, no entanto, estes não são vida. Devemos perceber que somente o Senhor é vida. Cristo é nossa vida. E é o Senhor quem vive esta vida em nós. Peçamos a Ele que nos liberte de muitos temores externos e fragmentados que toquemos somente Ele. Que possamos ver o Senhor em todas as coisas – caminho, verdade, e vida são todos encontrados quando conhecemos a Ele. Que possamos realmente encontrar o Filho de Deus e deixa-Lo viver em nós. Amém.

 

Edição de uma série de mensagens entregues em encontros semanais em Shangai,China, durante o período de 1939 – 1940. Por WATCHMAN NEE.

“A carne para nada aproveita”

“A carne para nada aproveita”

“E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gálatas 5.24).

Não há como viver para Deus na carne humana, porque nela não habita bem algum. Querer fazer o bem pode estar no homem, mas o efetuá-lo não está, por causa do pecado que habita (Rom. 7.18-20). A queda do homem no Jardim do Éden foi total. O homem está morto em delitos e pecados (Ef. 2.1). Ninguém que está na carne pode agradar a Deus: “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rom. 8.8).

A carne não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser (Rom. 8.3-7). Todos os que estavam debaixo da lei, estavam sob o domínio do pecado. O homem velho, a nossa natureza adâmica, a fábrica de pecados foi desfeita; destruída completamente naquela cruz. Jesus na sua morte e ressurreição nos livrou do nosso pecado e com o seu sangue nos perdoou de todos os nossos pecados. Agora somos de Cristo, e não podemos mais andar segundo a carne.

A carne milita contra o Espírito e por isto só há um remédio para ela: a cruz. Se não formos de Cristo é impossível que isto seja eficaz. É necessário que sejamos cheios de Cristo, revestidos dEle, e livres das paixões e concupiscências da carne, para vivermos em novidade de vida: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências” (Rom. 13.14).

Lutar contra a carne para agradar a Deus é desfazer a obra da graça que Jesus veio fazer. É tornar vã a sua cruz. É anular o seu poder e ignorar o poder da carne no homem. Jesus era o único que podia fazer essa obra de poder. Ele nos tomou como homens pecadores na carne, debaixo da escravidão do pecado, e nos libertou verdadeiramente (João 8.36). Agora Ele pode nos apresentar diante de Deus: santos, inculpáveis e irrepreensíveis (Col. 1.18-20).

Agora não somos mais escravos. Fomos libertos por Jesus para vivermos em santidade e justiça todos os dias da nossa vida (Lucas 1.74-75). Estamos libertos por Cristo, mas não podemos dar ocasião à carne. Estamos livres, mas não podemos ignorar o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia (Heb. 12.1).

Estávamos na carne e agora estamos em Cristo, no seu Espírito (Rom. 8.9), portanto, somos agora devedores ao Espírito, não para andarmos segundo a carne (Rom. 8.12-15). Jesus disse que a carne para nada aproveita na vida cristã, somente o que vem do Espírito (João 6.63).

Ele alcançou grandes coisas para nós. Devemos avançar para o alvo, e alcançar aquilo porque também fomos alcançados por Cristo (Flp. 3.12-13) Ainda não somos perfeitos, mas devemos correr, como um bom atleta, para a perfeição. Não impessamos que a sua obra de poder se complete em nós.

 

Fonte: Águas vivas

“Adorando os Caminhos de Deus”

“Pela revelação nós conhecemos a Deus; pela rendição conhecemos os Seus caminhos”

Quando alguém, através de revelação, chega a ver que Deus é Deus e que o homem é homem, não pode fazer outra coisa senão se inclinar e adorar.

É necessário, porém, dar um passo além: também adorar os Seus caminhos. Nós nos inclinamos diate Dele em adoração por aquilo que Ele é em Si mesmo, e também aceitamos com adoração todos os caminhos pelos quais Ele se agrada em trazer as nossas vidas. Nós precisamos aprender a andar passo a passo, e se andarmos diante de Deus aprenderemos a adorar os Seus caminhos.
É impossível apenas adorar a Deus, pois o conhecimento de Deus nos leva a aceitação dos Seus caminhos. Por um lado nós queremos conhecer a Deus. Por outro lado queremos conhecer os Seus caminhos. Portanto, nós não devemos apenas adorar os Seus caminhos.
Pela revelação nós conhecemos a Deus; pela rendição conhecemos os Seus caminhos.
Espiritualmente, todo o nosso futuro depende da questão da nossa aceitação, em adoração, de todos os Seus tratamentos conosco.

 

Watchman Nee

Há muitos anos um filósofo alemão disse alguma coisa no sentido de que, quanto mais um homem tem no coração, menos precisará de fora; a excessiva necessidade de apoio externo é prova de falência do homem interior.

Se isto é verdade (e eu creio que é), então o desordenado apego atual a toda forma de entretenimento é prova de que a vida interior do homem moderno está em sério declínio. O homem comum não tem nenhum núcleo central de segurança moral, nenhum manancial no seu peito, nenhuma força interior para colocá-lo acima da necessidade de repetidas injeções psicológicas para dar-lhe coragem para continuar vivendo. Tornou-se um parasita no mundo, extraindo vida do seu ambiente, incapaz de viver um só dia sem o estímulo que a sociedade lhe fornece.

Schleiermacher afirmava que o sentimento de dependência está na raiz de todo culto religioso, e que por mais alto que a vida espiritual possa subir, sempre tem que começar com um profundo senso de uma grande necessidade que somente Deus poderia satisfazer. Se esse senso de necessidade e um sentimento de dependência estão na raiz da religião natural, não é difícil ver porque o grande deus entretenimento é tão cultuado por tanta gente. Pois há milhões que não podem viver sem diversão. A vida para eles é simplesmente intolerável. Buscam ansiosos o alívio dado por entretenimentos profissionais e outras formas de narcóticos psicológicos como um viciado em drogas busca a sua injeção diária de heroína. Sem essas coisas eles não poderiam reunir coragem para encarar a existência.

Ninguém que seja dotado de sentimentos humanos normais fará objeção aos prazeres simples da vida, nem às formas inofensivas de entretenimentos que podem ajudar a relaxar os nervos e revigorar a mente exausta de fadiga. Essas coisas, se usadas com discrição, podem ser uma benção ao longo do caminho. Isso é uma coisa. A exagerada dedicação ao entretenimento como atividade da maior importância para a qual e pela qual os homens vivem, é definitivamente outra coisa, muito diferente.

O abuso numa coisa inofensiva é a essência do pecado. O incremento do aspecto das diversões da vida humana em tão fantásticas proporções é um mau presságio, uma ameaça às almas dos homens modernos. Estruturou-se, chegando a construir um empreendimento comercial multimilionário com maior poder sobre as mentes humanas e sobre o caráter humano do que qualquer outra influência educacional na terra. E o que é ominoso é que o seu poder é quase exclusivamente mau, deteriorando a vida interior, expelindo os pensamentos de alcance eterno que encheriam a alma dos homens, se tão-somente fossem dignos de abrigá-los. E a coisa toda desenvolveu-se dando numa verdadeira religião que retém os seus devotos com estranho fascínio, e, incidentalmente, uma religião contra a qual agora é perigoso falar.

Por séculos a igreja se manteve solidária contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o pelo que era – um meio para desperdiçar o tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um esquema para desviar a atenção da responsabilidade moral. Por isso ela própria sofreu rotundos abusos dos filhos deste mundo. Mas ultimamente ela se cansou dos abusos e parou de lutar. Parece Ter decidido que, se ela não consegue vencer o grande deus entretenimento, pode muito bem juntar suas forças às dele e fazer o uso que puder dos poderes dele. Assim, hoje temos o espantoso espetáculo de milhões de dólares derramado sobre o trabalho profano de providenciar entretenimento terreno para os filhos do Céu, assim chamados. Em muitos lugares, o entretenimento religioso está eliminando rapidamente as coisas sérias de Deus. Muitas igrejas nestes dias têm-se transformado em pouco mais do que pobres teatros onde “produtores” de quinta classe mascateiam as suas mercadorias falsificadas com total aprovação de líderes evangélicos conservadores que podem até citar um texto sagrado em defesa de sua delinqüência. E raramente alguém ousa levantar a voz contra isso.

O grande deus entretenimento diverte os seus devotos principalmente lhes contando estórias. O gosto por estórias, característicos da meninice, depressa tomou conta das mentes dos santos retardados dos nossos dias, tanto que não poucas pessoas, pelejam para construir um confortável modo de vida contando lorotas, servido-as com vários disfarces ao povo da igreja. O que é natural e bonito numa criança pode ser chocante quando persiste no adulto, e mais chocante quando aparece no santuário e procura passar por religião verdadeira.

Não é uma coisa esquisita e um espanto que, com a sombra da destruição atômica pendendo sobre o mundo e com a vinda de Cristo estando próxima, os seguidores professos do Senhor se entreguem a divertimentos religiosos? Que numa hora em que há tão desesperada necessidade de santos amadurecidos, numerosos crentes voltem para a criancice espiritual e clamem por brinquedos religiosos?

“Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera, e olha para o nosso opróbrio. … Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós porque pecamos! Por isso caiu doente o nosso coração; por isso se escureceram os nossos olhos.” Amém. Amém.

(O Melhor de A. W. Tozer, Editora Mundo Cristão)

Guiados pelo Espírito

“Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus” (Rom. 8.14).

 


No original grego encontramos duas palavras para definir um filho de Deus: teknós e huiós. Os teknós são todos os filhos recém-nascidos, os bebês ou criancinhas em Cristo, e os huiós são os filhos maduros.

Quando nascemos de novo já temos o Espírito, pois somos nascidos do Espírito, mas ainda não aprendemos a ser guiados pelo Espírito. As nossas faculdades ainda não estão exercitadas. A princípio, na grande maioria das vezes somos guiados pela carne, causando muitos problemas para nós e para outros: “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis” (I Cor. 3.1-2).

O propósito do Senhor é que cresçamos espiritualmente, e não fiquemos como meninos inconstantes, e para isto Ele proveu para os seus filhos toda a suficiência através do Espírito, mediante o ministério da Palavra e dos santos aperfeiçoados, dos filhos amadurecidos (Ef. 4.11-14).

Para entendermos isto, temos que ir para o livro de Atos capítulo 6, onde o Espírito destaca dois deles: Estevão e Filipe. Esses dois irmãos foram escolhidos junto com outros sete para se encarregarem de servir as mesas das viúvas dos helenistas. Estes eram huiós, homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. Homens que serviam a Igreja, mas não somente isto, eram guiados pelo Espírito Santo.

Estevão foi o primeiro mártir da Igreja. Ele fazia grandes sinais e prodígios entre o povo, quando se levantaram alguns da sinagoga dos cirineus, o arrebataram e o levaram ao sinédrio onde depois foi apedrejado (Atos 7). Logo em seguida, no capítulo 8, fala de Filipe pregando a Palavra em Samaria e depois foi a Gaza para se encontrar com um eunuco etíope, pregando-lhe a Cristo.

Filipe sabemos que saiu pregando após a perseguição, mas e Estevão? Ele deixou o seu ministério entre as viúvas para fazer coisas que não devia e por isso foi morto? Ele se rebelou contra a autoridade dos irmãos e deixou os seus afazeres para seguir os seus próprios desejos? Certamente que não, eles eram homens cheios do Espírito, portanto, guiados pelo Espírito.

Todo filho huiós, como nos ensina Romanos 8.14, é guiado pelo Espírito. Todo o que é guiado pelo Espírito não se inclina para as coisas da carne, mas para as coisas do Espírito (Rom. 8.5). Todo filho maduro se torna efetivo tanto para a Igreja do Senhor como para o próprio Senhor. Tanto para os homens como para Deus.

Por isso um filho huiós não pode ser estabelecido nem controlado por homens. A Igreja tem um cabeça, e tudo provém dele. Os filhos huiós são guiados pelo Espírito, por isso devem obedecer ao Espírito, e estarão obedecendo ao cabeça. Mas isto não o torna negligente para com os homens. Os filhos huiós fazem com que os filhos teknós cresçam para também serem guiados pelo Espírito e se tornem efetivos tanto para Deus como também para os homens, e assim cumpram o seu ministério, como Jesus, diante de Deus e diante dos homens.

12 Conselhos aos Líderes

“Doze Conselhos Importantes Para Aqueles Que Desejam Ser Líderes na Casa de Deus”

 

1. Aprendam a amar os outros, a pensar no bem deles, a ter cuidado por eles, a negar-se a si próprios por causa deles e a dar a eles tudo o que têm. Se alguém não consegue negar-se a si próprio em beneficio dos outros, ser-lhe-á impossível conduzir alguém no caminho espiritual. Aprendam a dar aos outros o que você tem, ainda que se sinta como se nada tivesse. Então o Senhor começará a derramar-lhe a Sua bênção.

2. A força interior de um líder deveria equivaler à sua força exterior. Esforços em demasia, avanços desnecessários, inquietações, apertos, tensões, falta no transbordar, planos humanos e avanços na frente do Senhor, são todas as coisas que não devem ocorrer. Se alguém está cheio de abundância em seu interior, tudo o que emana dele é como o fluir de correntes de águas, e não existem esforços demasiados de sua parte. É preciso ser de fato um homem espiritual, e não simplesmente se comportar como um.

3. Ao fazer a obra de Deus aprenda a ouvir os outros. O ensínamento de Atos 15 consiste em ouvir, isto é, ouvir o ponto de vista de outros irmãos porque o Espírito Santo poderá falar por meio deles. Seja cuidadoso,, pois ao recusar ouvir a voz dos irmãos, você poderá estar deixando de ouvir a voz do Espírito Santo. Todos aqueles envolvidos em liderança devem assentar-se para ouvi-los. Dê a eles oportunidades ilimitadas de falar. Seja gentil, seja alguém quebrantado e esteja pronto para ouvir.

 4. 0 problema de muito líderes é não estarem quebrantados. Pode ser que tenham ouvido muito, a respeito de serem “quebrantados” porem não possuem revelação dessa verdade. Se alguém está quebrantado, não tentará chegar as suas próprias decisões no que toca a questões importantes ou aos ensinamentos, não dirá que é capaz de compreender as pessoas ou de fazer coisas, não ousará tomar para si a autoridade ou impor a sua própria autoridade sobre os outros, nem aventurar-se-á a criticar os irmãos ou tratá-los com presunção. Um irmão quebrantado não tentará auto defender-se nem remoer-se por algo que ficou para traz.

5.  Não deve existir nas reuniões nenhuma tensão, tampouco na Igreja. Com respeito às coisas da Igreja aprenda a não fazer tudo você mesmo. Distribua as tarefas entre os outros e os leve a aprender a usar suas próprias capacidades de executar. Em primeiro lugar, você deve exporlhes resumidamente os princípios fundamentais a seguir e depois se certificar de que agiram de acordo. É um erro fazer você fazer muita coisa. Evite também aparecer demais na reunião, caso contrário os irmãos poderão ter a sensação de que você está fazendo tudo sozinho. Aprenda a ter confiança nos irmãos e a distribui-la entre eles.

6. O Espirito de Deus não pode ser coagido na Igreja. Você precisa ser submisso a Ele pois, caso contrário, quando Ele cessar de ungi-lo a Igreja se sentirá cansada ou até mesmo enfadada. Se o meu espirito estiver forte em Deus, ele alcançará e tomará a audiência em dez minutos; se estiver fraco não adiantará gritar palavras estrondosas ou gastar um tempo mais longo, o que inclusive com certeza será prejudicial.

7. Ao pregar uma mensagem, não a faça demasiadamente longa ou trabalhada, caso contrário o espírito dos santos sentir-se-á enfadado. Não inclua pensamentos superficiais ou afirmações rasteiras no conteúdo da mensagem; evite exemplos infantis, bem como raciocínios passíveis de serem considerados pelas pessoas como infantis. Aprenda concluir o ponto alto da mensagem dentro de um período de meia hora. Não imagine que, o fato de estar gostando de sua própria mensagem, significa que as suas palavras são necessariamente de Deus.

8. Uma tentação com que freqüentemente nos deparamos numa reunião de oração é querer liberar uma mensagem ou falar por tempo demasiado. Uma reunião de oração deve ser consagrada a oração, muito falatório levará à sensação, de sentir-se pesado, com o que a reunião se tornará um fracasso.

9. Os obreiros precisam aprender muito, antes de assumirem uma posição onde tenham de lidar com problemas ou com pessoas. Com um aprendizado inadequado, um conhecimento insuficiente, um quebrantamento incompleto e um juizo não digno de confiança, serão incompetentes para lidar com os outros. Não tire conclusões precipitadas; mesmo quando se está prestes a fazer algo deve-se fazê-lo com temor e tremor. Nunca trate com leviandade as coisas espirituais. Pondere’as no coração.

10. Aprenda a não confiar unicamente em seus próprios juizos. Aquilo que consideras correto pode ser errado e aquilo que consideras errado pode ser correto. Se alguém está determinado a aprender com humildade, levará, com certeza, alguns poucos anos para terminar de faze-lo. Portanto, por enquanto, você não deve confiar demasiadamente em si mesmo ou estar muito seguro a respeito, do seu modo de pensar.

11. É perigoso para as pessoas da Igreja seguirem as suas decisões antes de você ter atingido o estado de maturidade. O Senhor operará em você para tratar seus pensamentos e para quebranta-lo antes que você possa compreender a vontade de Deus e ser definitivamente ‘autoridade de Deus’- A autoridade se baseia no conhecimento da vontade de Deus. Onde não estiver sendo manifestado a vontade e o propósito de Deus, ali não há autoridade de Deus.

12. A capacidade de um servo de Deus com certeza será expandida porem pelo mesmo Deus que o capacitou. Descanse em Deus, ame-o de todo o coração. Jesus disse “sem mim nada podereis fazer”. A autoridade necessária para o desempenho do ministério é fruto de nosso relacionamento. Nunca olhe para dentro de você mesmo pois isso poderia desanimá-lo, porem, jamais abra mão da: – Intimidade com Deus, e – O conselho dos sábios que Deus colocou na Igreja.

“Não fostes vós que me escolhestes, porem eu vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis frutos e o vosso fruto permaneça afim de que tudo o pedirdes ao Pai em meu nome Ele vos conceda” JO 15:16.

 Extraído do livro “O Testemunho de Watchman Nee” e são partes de uma carta escrita em 10103/1950 durante o período de vinte anos em que permaneceu preso pelo Regime Comunista Chinês.

“Um exemplo no serviço”

Nesses últimos dias eu tenho dedicado parte do meu tempo a leitura de um livro que fala sobre liderança, e em dado momento o autor cita o exemplo de César, e diz que sempre que César ia para a batalha, uma coisa que ajudava os seus soldados a suportar as dificuldades era o fato de eles saberem que César passaria por tudo que eles passavam. Ele marcharia, se eles marchassem, ele suportaria sede, se os soldados tivessem que suportar, ele estaria no meio da batalha, se eles estivessem que combater.

Esse exemplo me fez lembrar alguns momentos interessantes. Lembro-me de alguns anos atrás quando estávamos num retiro, um jovem que estava na fila do almoço comigo se virou e me perguntou com um semblante muito chocado, se o pastor que estava na nossa frente na fila era o mesmo que estava pregando minutos atrás, depois de ouvir que sim ele fez a seguinte pergunta: Brother, o pastor aqui entra na fila do almoço? Então respondi: sim! Ele então exclamou escandalizado: Cara, lá onde congrego o pastor nem come a mesma comida, quanto mais entra na fila! (o pastor citado era pai desse jovem)

Em outra oportunidade pude ver um rapaz entendendo de verdade o reino de Deus depois de ver um dos presbíteros de nossa comunidade lavando o banheiro. Bem irmãos, escrevo para que tenhamos bem claro o ensinamento de Jesus segundo as escritura que diz: “Porquanto, nem mesmo o filho do homem veio para ser servido, mais para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. (Mc 10.45) A expressão grega para essa palavra servir = doulos = serviço obrigatório do “escravo”, relacionando o nosso serviço com a igreja. O Senhor em nenhum momento de sua vida perdeu o foco do real propósito de seu ministério, em nenhum momento tomou arzinho de autoridade sobre os outros, embora pudesse.

Portanto viva de igual modo! Revelado de fato de qual é a sua relação com a igreja de Jesus, e qual é a sua posição nela. Não viva isento deste chamado para servir, antes seja zeloso com o rebanho que o Senhor confiou a você, tornando-se padrão aos fies em tudo, e como diz um amado irmão servolivre.com, “troque o cetro pela vassoura”. Confronte a verdadeira prática da sua vida agora e detone o bichinho de carpete do meio da Igreja do Senhor. Saiba que seu dever diante de Deus não é murmurar transferindo a responsabilidade, esquecendo o que o Senhor falou ao profeta Oséias “Por isso, como é o povo, assim é o sacerdote; castigá-lo-ei pelo seu procedimento e lhe darei o pago de suas obras”. (Os 4.9)Em outras palavras poderíamos dizer: Se falta paixão na vida do pastor, o povo é indiferente. O senhor vê nossas obras, portanto “seja”para que seu legado aos discípulos ao invés de um desastre seja de fato algo proveitoso pra Deus.

Vindita!

Rafael Maroun

“Potencial Desperdiçado”

Adolescência: Potencial Desperdiçado


Tendo sido abençoada com o aumento da expectativa de vida, sem dúvida alguma nossa geração terá de prestar contas a Deus desse tempo excedente conforme nos ensina a parábola dos talentos. Podemos comparar esse prolongamento da vida ao es ticamento de um elástico que, preso numa extremidade, distende-se por inteiro e não somente na extremidade que está sendo puxada. O envelhecimento demora mais para surgir e, por isso, é a parte que mais se destaca no prolongamento da vida. No entanto, as demais fases da vida sofrem igual dilatação.

Como consequência, os jovens iniciam a vida profissional mais tarde, após a conclusão da formação universitária, e isso, por sua vez, provoca o adiamento do matrimônio e da geração de filhos. O ingresso tardio no mercado de trabalho implica também uma saída com idade mais avançada do que acontecia na geração anterior. Finalmente, temos a terceira idade, até recentemente tão desconhecida quanto a adolescência, mas agora igualmente explorada pelo mundo comercial.

Em todo esse processo de prolongamento da vida, há um fenômeno interessante que envolve a adolescência. Além do adiamento do pleno ingresso na fase adulta, que pode ser considerada a origem da adolescência, devemos observar também, no outro extremo, o precoce encerramento da infância devido à intensa exposição das crianças ao mundo adulto. Assim, a adolescência engloba a fase que antes estava oculta entre a infância e a juventude propriamente dita, como o recheio de um san duíche.

 

Grande potencial para o bem e para o mal

A pergunta diante de nós, portanto, é a seguinte: se Deus nos concedeu mais anos de vida, o que devemos fazer com eles? Como nosso assunto é adolescência, focaremos nesse período etário.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a fase da adolescência abrange a idade entre 10 e 19 anos; já o Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil define-a como o período entre 12 e 19 anos, o que representa em torno de 22% da nossa população.

É fato comprovado que e sse período é o mais favorável às conversões, tanto pela quantidade quanto pela maior consistência e durabilidade. O adolescente está carregado de sonhos e ideais, buscando onde possa ancorá-los com intensidade e paixão. Quem aceita a mensagem de Jesus durante os anos de adolescência encontra uma causa que pode dar sentido e realidade aos sonhos. Como os pais exercem uma função de moderadores, na maioria dos casos tentam impedir atitudes e decisões mais extremistas ou radicais dos filhos, incentivando-os a serem simplesmente bons cidadãos. Isso, contudo, pode provocar um sério esfriamento em sua fé e idealismo.

Passividade não combina com adolescentes, cheios de energia e potencial, mas ainda sem rumo certo. Ao invés de reprimir ou conter essa en ergia, é preciso ter muita sabedoria para canalizá-la ao propósito de Deus. Ao se oporem à paixão de um filho adolescente, por exemplo, os pais poderão ter problemas sérios. Com muita facilidade, o adolescente, que já está impulsionado pelo sentimento de amor, torna-se duplamente motivado pelo desafio de superar o obstáculo representado pela oposição dos pais.

Se observarmos os discípulos de Jesus, o mais jovem deles (João) se destaca por estar presente em todos os momentos mais críticos. Acompanhou Jesus até o último momento de sua vida, presenciando toda sua agonia, e foi o primeiro a chegar ao túmulo vazio após a ressurreição. Seu evangelho narra coisas singulares, de modo bem peculiar, das quais só ele, aparentemente, foi capaz de se apropriar. Viveu o suficiente para ter um extraordinário reencontro com o Senhor e de registrá-lo no livro do Apocalipse. E quando conheceu Jesus, era apenas um adolescente.

 

O que estamos perdendo?

Com o aumento da expectativa de vida, o período da adolescência – que antes estava escondido feito recheio de sanduíche entre a infância e a fase adulta – agora pode ser observado e valorizado de maneira bem distinta. Contudo, receio que estejamos desprezando o potencial para Deus que a maior longevidade nos proporciona. Enquanto os muçulmanos estão transformando seus adolescentes em radicais guerrilheiros de Alá, nós, cristãos, estamos perdendo a oportunidade de incendiar os nossos com o amor de Jesus. Por um lado, permanecemos inertes e omissos enquanto eles continuam seu curso de vida, apenas torcendo para que logo passe essa fase de rebeldia e inconformidade; por outro, tentamos apagar seu fogo, mesmo que seja pelo Senhor.

Infelizmente, parece que não estamos à altura de usufruir desse presente que o Senhor nos deu. Se os adolescentes de Alá fazem o que fazem, usando o ódio como o combustível de seus ideais, imaginem o que poderiam fazer os adolescentes de Cristo se fossem movidos por amor para implementar os ideais do Reino. Talvez, a saída não seja exatamente domesticar os adolescentes, mas canalizar a Cristo toda a sua intensidade.

 

Sem visão, o que podemos oferecer?

Penso que a grande dificuldade em tratar com os adolescentes é porque não temos uma visão de futuro e um projeto concreto para oferecer-lhes. No final da década de 60, começou a surgir uma filosofia que pregava o prazer imediato: viver e desfrutar ao máximo do presente já que o futuro é uma absoluta incerteza. Em outras palavras, uma vida inconsequente. Era um existencialismo pessimista trazido por Jean Paul Sartre, Herbert Marcuse e outros que queriam contestar as tradições e o passado, mas nada ofereciam quanto ao futuro. Numa suposta mensagem libertária, incentivavam o uso da pílula anticoncepcional recém-inventada, dando força para o florescimento do feminismo. O slogan paz e amor tentava contrapor-se à guerra fria entre capitalismo e socialismo comandada pelas potencias do pós-guerra que se achavam no direito de invadir outras nações e tratá-las como se fossem seu próprio quintal.

Hoje, olhando para tudo isso, parece que foi uma guerra sem vencedores, na qual a maior vítima foi a esperança. O legado foi resumir a vida em trabalhar apenas para atender a própria sobrevivência ou manter o status alcançado. Enquanto isso, assistimos, passivos e assombrados, à expansão do islamismo que aposta cada vez mais na coragem de seus adolescentes, forjada nos campos de refugiados, onde são treinados para aterrorizar o mundo, especialmente os países mais poderosos. Pode soar como ironia, mas parece que o único contraponto de fé para tudo isso, além de Israel, está a cargo do criticado cristianismo em muitas nações chamadas de terceiro mundo.

Uma geração esvaziada de visão de futuro nada tem a oferecer aos filhos nesse sentido. Mas nós, cristãos, não deveríamos conformar-nos com este mundo, pois o que temos a oferecer aos nossos filhos supera em muito o próprio islamismo. Erramos por não conhecermos o propósito de Deus. Ou, quando o conhecemos, não cremos o suficiente para gerar confiança neles. Talvez por antever essa situação, Jesus deixou a seguinte pergunta: “Quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?

Precisamos possuir uma visão do Reino de Deus que nos dê não apenas um motivo para viver, mas em favor da qual creiamos que vale a pena morrer. Só então teremos o que oferecer a nossos filhos para livrá-los da prisão do presente século que insiste em moldá-los para serem apenas bons cidadãos, enquanto eles, incompatíveis com a domesticação que queremos lhes impor, respondem com rebeldia, drogas e sexo. Como pais, devemos converter nosso coração a fim de que tenhamos condições de oferecer-lhes algo que supere até mesmo sua própria intensidade: um futuro maior que o sonho, um ideal mais nobre que o imaginado e um amor imenso, impossível de ser mensurado ou esgotado, e que, mesmo assim, é a mais absoluta realidade.

Resumindo: só quem tiver uma visão apaixonada do Reino de Deus terá condições de oferecer algo à altura da adolescência atual.

Senhor, obrigado pelos anos a mais que nos deste. Dá-nos sabedoria para contarmos os nossos dias, a fim de que não sejam desperdiçados.

por Pedro Arruda
Revista Impácto

Discipulando os Filhos desde Pequenos


As Escrituras nos mostram as chaves para discipularmos nossos filhos de tal forma que não sofram os mesmo efeitos que a fase da adolescência causa na sociedade em geral.

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele (Pv 22.6).

Nesse texto, Deus manda ensinar a criança no caminho. Para mim, isso significa ensinar andando no caminho. Não adianta estar fora do caminho e tentar ensinar o filho a andar nele. É preciso estar andando junto, repartindo a vida e não apenas transmitindo palavras.

Temos aqui também uma grande promessa: se lançarmos fundamentos adequados quando a criança é pequena, ela não sairá do caminho quando estiver andando por conta própria. Por piores que a influência e a pressão do mundo forem, o poder da nova criação por meio da Palavra é maior, e guardará de todo perigo e tendência errada.

Outro texto importante está em Deuteronômio 6.4-9.

4. Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.

5. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força.

6. Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração;

“…estarão no teu coração” – o pai precisa viver o que vai ensinar. Note que não é somente saber falar, mas ter no coração. Jesus disse que suas palavras eram espírito e vida (Jo 6.63). Isso significa que ele transmitia três coisas para as pessoas: as palavras que saíam de sua boca, o espírito dele e a vida que vivia. Por mais que tentemos ensinar o que não vivemos, não é possível. Nossos filhos só aprenderão a viver se lhes transmitirmos nosso espírito e vida, além de nossas palavras. Amar a Deus sobre todas as coisas é uma ordem que determina nosso estilo e os objetivos de vida. Se formos assim, o Espírito terá o ambiente de que precisa para tornar nossos filhos assim também.

7. tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te.

“Inculcar” (perfurar, aguçar, ensinar incisivamente) – significa colocar na mente, ensinar até ver o ensino transformar a mentalidade e o comportamento do filho.

“Assentado em tua casa” – ensino sistemático, com a Bíblia na mão, com simplicidade e profundidade, com tema e objetivos definidos.

“Andando pelo caminho” – ensino informal, aproveitando as situações do dia a dia, aproveitando o que os filhos falam, o que ouvem, o que contam; aproveitando os momentos de diversão, de comer junto, de viagem, etc.

“Ao deitar-te e ao levantar-te” – ensino constante, sem parar, sem tensão, mas com diligência. Não podemos desistir de nossos filhos. Desistir de ensinar é desistir deles. O mesmo Deus que nos deu filhos oferece-nos todos os recursos para sermos pais. Devemos buscar ao Senhor em sua Palavra e na comunhão com a igreja a fim de conhecer e usufruir esses recursos eternos e espirituais.

8. Também as atarás como sinal na tua mão e te serão por frontal entre os teus olhos.

9. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.

A palavra de Deus atinge e molda toda a nossa vida.

“Sinal na tua mão” – a Palavra está nas obras dos pais. Os filhos precisam ver os pais fazendo o que ensinam.

“Frontal entre os olhos” – a Palavra está na visão, na direção dos pais. Os pais são aqueles que ouvem de Deus sobre a família e a conduzem na direção que o Senhor mostra.

“Nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” – a Palavra está na identidade da casa, da família, no que a família representa para as pessoas. A família deve ser apegada ao Senhor de tal forma que quem a conhece identifica a graça de Deus nela.

Em resumo, filhos que são alicerçados dessa forma e que conhecem a Jesus como Senhor não precisam passar pela fase de adolescência tal qual a vemos hoje no mundo. Amarão a Jesus e por ele serão satisfeitos. Aprenderão a preparar-se adequadamente para a fase adulta, com responsabilidade e submissão à vontade do Senhor.

por Tony Felicio
Revista Impacto
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